Irã diz que é 'inútil' negociar com os EUA e ameaça o acordo a horas da assinatura
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou neste domingo, 14, que é “inútil” manter as negociações com os Estados Unidos após um ataque israelense aos subúrbios ao sul de Beirute, no Líbano, colocando em risco um acordo que vinha sendo tratado como decisivo para a reabertura do Estreito de Ormuz.
A declaração foi publicada poucas horas antes da data que o presidente americano Donald Trump havia apontado como horizonte para a assinatura de um entendimento entre Washington e Teerã.
Segundo Ghalibaf, que também preside o Parlamento do Irã, o bombardeio demonstraria que os EUA não teriam disposição ou capacidade para garantir compromissos assumidos nas conversas diplomáticas.
Em publicação na rede social X, ele afirmou que a continuidade das tratativas perdeu sentido diante dos acontecimentos mais recentes.
A crise ganhou força após uma sequência de ações militares na região. Um ataque com drones no norte de Israel foi seguido por uma ofensiva israelense contra posições do Hezbollah em Beirute.
O Exército de Israel informou ter atingido um centro de comando do grupo no bairro de Ghobeiry, enquanto a agência estatal libanesa NNA relatou ao menos uma morte.
Ghalibaf elevou o tom ao afirmar que o Irã poderia não apenas interromper as negociações, mas também entrar em confronto direto com seus adversários. Ele classificou ativos israelenses e bases que abrigam tropas americanas no Oriente Médio como possíveis alvos. Já Ebrahim Rezaei, porta-voz da comissão de segurança nacional do Parlamento iraniano, prometeu uma resposta 'decisiva e dolorosa'.
A escalada ocorre em um momento particularmente sensível, já que as negociações envolviam um memorando provisório que previa a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão de sanções ao petróleo iraniano. O texto, apelidado de "Memorando de Islamabad"em referência à mediação do Paquistão e do Catar, ainda dependia de aprovação final da liderança iraniana.
Embora Trump tenha declarado no sábado, 13, que o acordo estava "marcado para ser assinado" no domingo, autoridades iranianas demonstraram cautela. Integrantes da Guarda Revolucionária negaram que houvesse uma assinatura confirmada para a data e criticaram a insistência da Casa Branca em anunciar um desfecho imediato.
Do lado americano, o discurso permaneceu otimista. O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, afirmou que Trump mantém a intenção de concluir o memorando. Um funcionário do governo americano também reiterou apoio ao direito de autodefesa de Israel e confirmou que uma nova rodada de negociações está prevista para a semana de 22 de junho.
Ormuz volta ao centro das preocupações do mercado
O possível fracasso das negociações tem implicações diretas para os mercados globais. O Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, opera com restrições desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
A expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã havia levado investidores a reduzir o chamado prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços do petróleo, movimento que pressionou o barril para baixo nos últimos dias.
Na sexta-feira, 12, o petróleo Brent recuou mais de 4% e fechou abaixo de US$ 86,5, refletindo apostas de que o fluxo energético da região poderia ser normalizado.
Projeções da Energy Information Administration (EIA), agência de informação energética dos Estados Unidos, indicavam preços mais elevados enquanto o estreito permanecesse fechado e uma tendência de queda caso o fluxo fosse restabelecido.
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