Irã e EUA iniciam negociações na Suíça neste domingo, em meio a novo fechamento de Ormuz
Delegações dos Estados Unidos e do Irã se reúnem neste domingo, 21, na estância suíça de Bürgenstock, para a primeira rodada de negociações técnicas previstas pelo acordo que encerrou a guerra entre os dois países.
As conversas marcam o início do prazo de 60 dias estabelecido pelo Memorando de Entendimento de Islamabad, assinado em 17 de junho, em Islamabad, pelo presidente americano, Donald Trump, e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
A delegação iraniana, liderada pelo negociador-chefe Mohammad Bagher Ghalibaf, desembarcou em Zurique no sábado, 20.
Também integram o grupo o chanceler Abbas Araqchi e o governador do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, segundo informou a mídia estatal do Irã.
Pelo lado americano, o vice-presidente JD Vance deixou Washington no mesmo dia para se juntar ao enviado especial Steve Witkoff e a Jared Kushner, genro de Trump, que já estavam em território suíço.
O Paquistão, que mediou o acordo original, confirmou que representantes do Catar também participarão das discussões "em nível técnico", segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores paquistanês.
Acordo prevê fim da guerra e fundo de US$ 300 bilhões
O memorando de 14 pontos declara o fim imediato e permanente das hostilidades entre os dois países, incluindo operações no Líbano. O texto prevê a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e a retirada do bloqueio naval americano em até 30 dias, além de um plano de reconstrução econômica de pelo menos US$ 300 bilhões para Teerã, financiado pelos Estados Unidos em parceria com aliados regionais.
Em troca, o Irã reafirma o compromisso de não desenvolver armas nucleares e aceitou reduzir, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica, seu estoque de urânio enriquecido.
O acordo também prevê a suspensão progressiva das sanções americanas contra o país, impostas desde a Revolução de 1979.
Tensão no Líbano ameaça o cessar-fogo antes da mesa de negociação
Horas antes da chegada da delegação iraniana à Suíça, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, alegando descumprimento do acordo pelos Estados Unidos e citando ataques israelenses no sul do Líbano. Em comunicado, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, das Forças Armadas iranianas, afirmou que a medida é uma resposta à "violação incessante" do cessar-fogo por Israel naquela região.
A Defesa Civil do Líbano informou que ataques israelenses mataram 16 pessoas no país no sábado, poucas horas depois de a trégua entrar em vigor.
Israel afirmou que reagia a disparos do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, que por sua vez negou que permitirá a Israel "liberdade de movimento" no território libanês. Israel não integra o acordo entre Irã e Estados Unidos e mantém forças no sul do país.
Apesar da ameaça de bloqueio, o tráfego comercial no estreito não foi interrompido de imediato. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), o fluxo de navios aumentou no sábado, com 55 embarcações mercantes transportando mais de 17 milhões de barris de petróleo pela região — rota por onde passa cerca de um quinto do consumo mundial diário de petróleo.
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