Irã intensifica cerco a supostos espiões em meio à guerra com EUA e Israel
O governo do Irã anunciou neste domingo a prisão de mais de 170 pessoas acusadas de colaborar com Estados Unidos e Israel.
A ofensiva ocorre no contexto da guerra iniciada em 28 de fevereiro e já soma mais de mil detenções no país.
Segundo o comando da polícia iraniana, 50 suspeitos foram detidos por participação em uma rede organizada de coleta e transmissão de dados considerados sensíveis. As autoridades afirmam que o grupo repassava informações estratégicas a “inimigos”, termo usado para se referir a Washington e Tel Aviv.
Os detidos teriam enviado localizações de instalações estratégicas, infraestruturas críticas e posições das forças de segurança, o que poderia facilitar ataques. O governo não detalhou em quais cidades essas prisões ocorreram, conforme divulgado pela agência estatal IRNA.
Em paralelo, a inteligência da Guarda Revolucionária informou a detenção de outras 123 pessoas e a desarticulação de redes em diferentes províncias, incluindo Hamedan, Semnan e Gilan.
Somente na província de Gilan, 102 pessoas foram presas sob acusação de planejar sabotagens e gerar instabilidade em áreas urbanas. Já em Hamedan, 18 indivíduos foram detidos por suposta ligação com grupos monárquicos, contatos com Israel e atuação midiática considerada hostil pelo regime.
As autoridades afirmam que os investigados buscavam não apenas repassar informações estratégicas, mas também executar ações de sabotagem. Durante as operações, foram apreendidos armamentos, munições, equipamentos de comunicação e dispositivos via satélite.
Escalada de tensão amplia repressão interna
O governo iraniano tem ampliado o cerco a opositores desde o início do conflito, classificando suspeitos como “mercenários” ou “espiões” ligados a potências estrangeiras. A população foi orientada a denunciar atividades consideradas suspeitas, em meio ao aumento da tensão regional.
A campanha de detenções reflete uma estratégia recorrente do regime em momentos de crise externa: reforçar o controle interno e neutralizar potenciais dissidências. Ao mesmo tempo, levanta questionamentos sobre o alcance das acusações e o impacto nas liberdades civis no país.
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