Irã já exporta mais petróleo do que antes da guerra: entenda
O Irã consolidou sua posição estratégica no Estreito de Ormuz e transformou a hidrovia, que é uma das principais rotas de escoamento do petróleo no mundo, em um corredor praticamente exclusivo para suas exportações, enquanto restringe o acesso de outros produtores da região.
O país exportou uma média de 2,1 milhões de barris de petróleo por dia nos últimos seis dias, acima dos cerca de 2 milhões de barris diários registrados em fevereiro, segundo dados da empresa de rastreamento de petroleiros Kpler, pelo The Wall Street Journal (WSJ).
O aumento ocorre em meio ao conflito iniciado em 28 de fevereiro e tem funcionado como um importante suporte financeiro para Teerã diante das ofensivas de Israel e dos Estados Unidos (EUA), segundo especialistas ouvidos pelo The Wall Street Journal (WSJ).
Enquanto o Irã mantém o fluxo de petróleo praticamente inalterado, produtores árabes do Golfo, como a Arábia Saudita e o Iraque, enfrentam um cenário oposto. Esses países foram obrigados a reduzir a produção ou buscar rotas alternativas que contornem o Estreito.
O controle iraniano sobre a passagem ocorre por meio de ameaças diretas do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, que tem utilizado drones e mísseis contra navios de outras nações. Analistas avaliam que a situação cria um cenário de crise capaz de retirar milhões de barris de petróleo do mercado global.
A "frota das sombras" e a rota para a Ásia
Para manter o fluxo de exportações, o Irã depende principalmente da chamada "frota das sombras", formada por petroleiros antigos ligados a empresas que foram alvo de sanções dos EUA por transportar petróleo iraniano.
Mesmo restritas no sistema financeiro internacional, essas embarcações continuam operando por meio de redes comerciais paralelas.
O Irã fechou a rota em meio à escalada dos conflitos. Desde o início da guerra, apenas 15 embarcações cruzaram a passagem — a maioria ligada a essa frota clandestina destinada a mercados asiáticos, especialmente chinês e indiano.
O chefe de inteligência da empresa de segurança marítima Neptune P2P Group, Christopher Long, afirmou ao WSJ que quase todos os navios que atualmente atravessam o Estreito de Ormuz têm vínculos com o Irã ou com a China.
O jornal americano também teve acesso a comunicações de rádio que revelam as táticas usadas por embarcações chinesas para evitar ataques. As gravações mostram que os navios transmitem mensagens em inglês identificando-se como "navios amigáveis" à Guarda Revolucionária.
Entre os exemplos citados estão os petroleiros Skywave e Cume, operados por entidades sancionadas e registrados sob bandeiras de conveniência. As embarcações carregaram milhões de barris na Ilha Kharg antes de atravessarem o estreito rumo à Ásia.
Mercado reage à instabilidade
A tensão na região tem provocado forte volatilidade nos preços do petróleo. As cotações chegaram a atingir US$ 120 por barril antes de recuarem para menos de US$ 80 após sinais do presidente Donald Trump de que o conflito poderia cessar em breve. O Irã contestou a fala do republicano e o preço da commodity continua em zigue-zague.
Já o JP Morgan avalia que um bloqueio prolongado de apenas duas semanas no Estreito de Ormuz poderia retirar cerca de 3,8 milhões de barris diários do mercado global, o equivalente a mais de 3% da produção mundial.
No campo da segurança, o impasse continua. O governo dos EUA indicou que pode escoltar navios comerciais pela região, mas o comandante da marinha da Guarda Revolucionária, Ali Reza Tangsiri, ressaltou que qualquer frota aliada será interceptada por mísseis e drones iranianos.
Diante do risco, grandes empresas de transporte marítimo têm evitado a área. A gigante dinamarquesa Maersk decidiu manter suas embarcações fora da zona de conflito, e a Saudi Aramco alertou para um risco global no mercado petrolífero diante da escassez de oferta.
O CEO da companhia, Vincent Clerc, pontuou ao WSJ que a empresa não colocará seus funcionários em perigo e manterá navios retidos no Golfo até que as condições de segurança sejam restabelecidas.
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