Irã lança novo sistema para supervisionar tráfego no Estreito de Ormuz
O Irã anunciou nesta terça-feira, 5, o lançamento de um site voltado à implementação de um novo sistema de supervisão do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o fluxo global de petróleo. A iniciativa ocorre em meio à disputa com os Estados Unidos pelo controle da região.
A plataforma está vinculada à Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA, na sigla em inglês), órgão estabelecido por Teerã para gerenciar a travessia.
De acordo com a Press TV, emissora estatal iraniana, o modelo prevê que embarcações interessadas em cruzar o estreito recebam um e-mail com diretrizes de navegação e precisem obter autorização antes de prosseguir. O sistema estabelece uma etapa prévia obrigatória para liberação de trânsito marítimo.
Até o momento, o portal apresenta apenas a mensagem: “Bem-vindo à Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico. República Islâmica do Irã”.
Ainda não há informações detalhadas sobre a operação da ferramenta, incluindo regras específicas ou medidas em caso de descumprimento. Um pedido de esclarecimento enviado à nova autoridade não teve resposta imediata. A imprensa estatal iraniana afirma que o mecanismo já está em funcionamento.
Em paralelo, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica divulgou um alerta direcionado a navios que pretendem cruzar a região. Em publicação nas redes sociais, indicou que apenas um corredor definido pelo Irã é considerado seguro, com a possibilidade de ação contra embarcações fora dessa rota.
Controle do estreito e reação internacional
A medida representa mais um movimento de Teerã para formalizar sua atuação sobre o estreito internacional. Antes do início do conflito na região, em 28 de fevereiro, a passagem concentrava cerca de um quinto do consumo global de petróleo e gás. O país também indicou a intenção de cobrar taxas de travessia, com relatos de que operadores já iniciaram pagamentos.
Os Estados Unidos e aliados regionais afirmam que o controle da via e a cobrança de tarifas violam normas do direito internacional.
O anúncio ocorre após o presidente Donald Trump determinar um bloqueio a portos iranianos e apresentar um plano para atuação da Marinha dos EUA na proteção de embarcações na área, ação que ainda não apresentou resultados amplos.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou, nesta terça-feira, que Washington mantém controle sobre o estreito. Já a emissora estatal iraniana IRIB classificou a operação americana como um fracasso e afirmou que o domínio do Irã sobre a rota “se intensificou”.
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