Isa Energia atinge pico de investimentos — e pode voltar aos leilões da Aneel
A Isa Energia Brasil registrou lucro líquido regulatório de R$ 482 milhões no quarto trimestre de 2025. No acumulado do ano passado, a cifra foi de R$ 1,62 bilhão, com recuo de 21,7% na comparação com 2024. A linha final do balanço da transmissora seguiu impactada pelos investimentos em projetos greenfield e em reforços e melhorias, que bateram novos recordes: R$ 1,7 bilhão no trimestre e R$ 5,1 bilhões no ano.
A receita líquida nos últimos três meses de 2025 somou R$ 1,12 bilhão, com uma queda anual de 36%. O número inclui recebimentos da Rede Básica Sistema Existente (RBSE), indenizações sobre ativos existentes pagas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que recuaram 10% ano a ano, para R$ 464 milhões. A receita oriunda das operações somou R$ 656 milhões, com alta de 2,4%.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da ex-Isa Cteep foi a R$ 854 milhões no quarto trimestre, com alta de 8%. No acumulado do ano, a cifra foi R$ 3,455 bilhões, 2% menor que a de 2024.
Os executivos da companhia afirmam que os investimentos podem ter chegado a um pico. "Essa é a estimativa", disse Silvia Wada, CFO da Isa Energia, à EXAME. Até 2030, a empresa tem R$ 12,3 bilhões em investimentos autorizados. Os aportes nos projetos greenfield, pelo cronograma atual, terminam em 2028. São ativos que a Isa arrematou em leilões passados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
No quarto trimestre, a empresa antecipou a energização de projetos como Água Vermelha, Riacho Grande e Piraquê, habilitando mais de R$ 205 milhões em RAP (Receita Anual Permitida), principal mecanismo de remuneração das transmissoras de energia. Trata-se do valor anual definido pela Aneel que a empresa tem direito a receber pela disponibilização da infraestrutura de transmissão, independentemente do volume de energia transportado.
A Isa Energia não participa de leilões de concessão desde 2023. Natural para uma empresa que não abre mão de distribuir 75% dos lucros em dividendos e ainda tem bilhões de investimentos a fazer. A companhia já foi mais assertiva sobre ficar de fora de futuros certames, mas agora que os investimentos chegaram ao pico, adota um outro discurso.
"Conforme a execução dos investimentos vai acontecendo, abre espaço para potencialmente a gente voltar a participar de leilão", afirma Rui Chammas, CEO da Isa Energia. "Dito isso, não está descartado que a gente volte a participar de leilões no futuro próximo, desde que a gente mantenha um tripé: alavancagem controlada, distribuição de proventos dentro do esperado pelos acionistas e investimento em projetos rentáveis".
A dívida líquida da Isa Energia terminou 2025 em R$ 14,1 bilhões, com crescimento de 38% em relação ao final de 2024 e chegando a 3,63 vezes o Ebitda da companhia (ante 2,72 vezes). No ano passado, a empresa fez três captações via debêntures que somaram R$ 4 bilhões, atreladas à inflação mais spread, e antecipou o pagamento de uma dívida de R$ 726 milhões atrelada ao CDI.
"Um negócio com a previsibilidade do nosso aceita uma alavancagem por volta de quatro vezes, sem ser percebido como um negócio muito alavancado. A gente está falando de um negócio de margem EBITDA próxima de 80%. E os nossos projetos até mais do que isso", conclui Chammas.
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