Isis Valverde lança 1ª coleção de moda para fazer marca crescer 50% em 2026
Aos 17 anos, a mineira Isis Valverde começou a sua carreira de atriz no Rio de Janeiro (RJ). A moda passou a fazer parte da sua rotina, com looks e roupas escolhidas para seus personagens.
A falta de autonomia no início de sua carreira fez com que Isis se interessasse cada vez mais pela moda e pelo que as roupas dizem sobre ela. Agora, ela lança sua primeira coleção pela marca Gammba, fundada por Vitorino Campos, Ivan Menezes e Phelipe Mortosa, que tem inspirações baianas em sua raiz.
“É uma coleção muito madura. Ela revisita Minas Gerais, revisita quem é a Isis e de onde ela veio”, afirma Isis Valverde em entrevista à EXAME.
Pensada para o inverno brasileiro, a cápsula aposta em camadas leves, volumes limpos e peças versáteis, que transitam entre diferentes ocasiões e temperaturas. O tricô surge como protagonista da narrativa, enquanto tricoline e jeans trazem estrutura e contraste.
Para a atriz, a coleção é mais uma forma de explorar o backstage de sua carreira — recentemente, ela também tem trabalhado na produção de uma peça e um filme, além de ter lançado dois livros.
Para a marca, a parceria deve ser uma forma de impulsionar o negócio e manter o ritmo de crescimento, com previsão de elevar o faturamento em 50% em 2026. “Em apenas dois anos e meio de operação, a marca mais que dobrou de tamanho, com crescimento superior a 114% entre 2024 e 2025”, diz Vitorino Campos.
Minas com Bahia
Quando começou a sua carreira, a moda virou uma extensão do trabalho de Isis, que já não sabia mais o que gostava de vestir.
“Por muito tempo, eu me sentia só um cabide. Foi quando comecei a entender a moda como expressão e a descobrir quem era a Isis, o que eu gostava de vestir e como queria me comunicar através das roupas”, afirma a atriz.
Dessa busca nasceu o desejo de participar do backstage da moda — vontade que se concretiza na parceria com a Gammba, batizada de “Minas com Bahia”. Ivan Menezes, um dos fundadores da marca, foi padrinho de casamento de Isis e sempre compartilhou seus planos para a marca.
Coleção “Minas com Bahia” une referências afetivas e contemporâneas em looks que traduzem identidade, conforto e sofisticação em cada peça (Ivan Erick)
“Acompanhei o nascimento da Gammba como amiga, e participar dessa coleção acabou sendo um presente para mim — uma forma de construir minha própria identidade”, diz.
Um dos pontos centrais da coleção é a mescla de elementos de Minas Gerais e Bahia. “O resultado é uma coleção que traduz identidade, os valores que refletem o posicionamento da marca e o estilo de vida de seus consumidores”, descreve Menezes.
“A coleção parte de um tom inspirado em Minas, um bordô terroso que remete ao fim de tarde, às casas, ao chão de terra e ao cimento, além dos contrastes marcantes da paisagem local — o azul do céu e o branco intenso das nuvens”, diz Isis.
A atriz participou de diferentes etapas do processo criativo da coleção, vivendo uma experiência mais profunda com a moda e com a construção das peças. Segundo ela, esse envolvimento vai além do vestir: é uma imersão no backstage da criação, que inclui trocas com a equipe, curadoria de referências e acompanhamento do desenvolvimento das ideias até o resultado final.
“Foi muito especial ver a coleção pronta, depois de todo o processo. A gente acompanhou cada etapa, então ver tudo finalizado dá uma emoção enorme, como se tudo fizesse sentido ali”, afirma.
“Nossa expectativa é crescer cerca de 50% em 2026 em relação ao ano anterior, mantendo a trajetória de expansão que a Gammba vem construindo desde sua fundação”, diz Phelipe Mortosa.
A atriz afirma que ainda não sabe se pretende lançar novas coleções no futuro, mas reconhece que a experiência a aproximou de forma mais intensa do universo da criação. Ela conta que, neste momento, está mais envolvida em diferentes frentes de produção, como teatro e cinema, o que tem ampliado sua relação com processos criativos para além da atuação.
A história da Gammba
Fundada por Vitorino Campos, Ivan Menezes e Phelipe Mortosa, a Gammba nasceu da união de três expertises complementares — direção criativa, fotografia e direção de imagem.
“Queríamos construir algo que tivesse verdade estética e consistência desde o primeiro dia”, diz Campos. A operação começou de forma enxuta, com loja física e e-commerce atuando em paralelo, sustentada por uma comunicação direta e pela força da rede de relacionamento dos fundadores.
No início, a marca apostou menos em publicidade tradicional e mais na construção de comunidade. “A Gammba sempre foi muito mais sobre relacionamento do que sobre mídia paga. A gente cresceu junto com os nossos clientes”, afirma Menezes. Esse movimento ajudou a transformar consumidores em embaixadores espontâneos da marca, fortalecendo o crescimento orgânico e a percepção de desejo em torno das peças.
O tíquete médio subiu cerca de 30%, indicando não apenas expansão em escala, mas também fortalecimento de valor percebido.
O ritmo acelerado se manteve em 2026, com alta de 98% no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período do ano anterior. Para os fundadores, esse desempenho está ligado à maturidade operacional e à disciplina na gestão.
Como parte da expansão, a Gammba aposta em colaborações estratégicas, como a coleção desenvolvida com a atriz Isis Valverde, inspirada na conexão entre Minas Gerais e Bahia. “Foi uma troca muito genuína, que traduziu duas origens e duas histórias em uma mesma linguagem estética”, afirma Mortosa.
A expectativa é fazer novas parcerias para os próximos anos. “Nosso objetivo é construir conexões autênticas e relevantes, sempre priorizando qualidade, alinhamento e coerência”, diz Menezes.
A empresa ainda prevê a abertura do canal de atacado em 2026 e projeta crescimento de cerca de 50% neste ano.
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