JBS inaugura centro de biotecnologia para “superproteínas” em Florianópolis

Por Rafael Martini 2 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
JBS inaugura centro de biotecnologia para “superproteínas” em Florianópolis

A JBS inaugurou nesta quarta-feira (1º), em Florianópolis (SC), a JBS Biotech, centro de biotecnologia avançada que nasce com uma ambição clara: desenvolver as chamadas “superproteínas”, ingredientes com propriedades nutricionais e funcionais desenhadas em nível molecular para atender demandas específicas de consumo.

A unidade atua em saúde animal, nutrição de precisão e no desenvolvimento de proteínas funcionais e alternativas, elevando o padrão competitivo da cadeia de proteína animal. Gigante global e maior produtora de proteína do mundo, a JBS, com receita de US$ 86 bilhões, presença em 20 países, mais de 450 plantas e 280 mil funcionários, avança para liderar a nova fronteira das proteínas.

Instalado no Sapiens Parque, o complexo é liderado pela CEO da JBS Biotech, Fernanda Berti, engenheira química e doutora em Desenvolvimento de Processos Químicos e Biotecnológicos, e foi estruturado para atuar desde a pesquisa inicial até a validação de novas tecnologias para aplicação industrial.

Com estrutura de mais de 4.000 m² dedicados à pesquisa e desenvolvimento, a unidade reúne mais de 20 laboratórios altamente especializados, projetados segundo padrões internacionais de qualidade e segurança operacional, assegurando excelência e flexibilidade para atender demandas estratégicas da companhia de forma sustentável e contínua.

A atuação abrange todo o ciclo de desenvolvimento tecnológico, da ciência básica e biologia molecular à engenharia, simulação de dados e validação de resultados.“A JBS Biotech é capaz de desenvolver desde proteínas funcionais — as chamadas superproteínas — até novas soluções em ingredientes que contribuam para produtos mais saudáveis. Mas, mais do que produzir um item final, nosso objetivo é desenvolver tecnologia, acelerar provas de conceito e abrir caminhos para futuras aplicações em escala industrial”, afirma o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni.

“Estamos entrando em uma nova fronteira, em que é possível entender o potencial dos alimentos proteicos em nível molecular e desenvolver soluções com características nutricionais e funcionais sob medida para diferentes necessidades dos consumidores”, diz Fernanda Berti, CEO da JBS Biotech. “Isso inclui o avanço da nutrição de precisão, com o desenvolvimento de ingredientes e proteínas desenhadas para modular respostas fisiológicas específicas, tanto em humanos quanto em animais”.

No centro dessa iniciativa está o compromisso de oferecer ao consumidor proteínas de alta qualidade, ampliar o acesso a novas tecnologias de produção e contribuir para a construção de um modelo produtivo mais eficiente.

Na prática, isso abre caminho para proteínas com alto valor nutricional, ricas em aminoácidos essenciais, além de propriedades funcionais específicas. Esses ingredientes podem ser desenhados para atuar de forma direcionada, desde ganho de massa muscular até suporte imunológico e desempenho metabólico, ampliando o conceito de nutrição tradicional para uma abordagem mais personalizada e baseada em ciência.

O conhecimento gerado também é aplicado na melhoria de produtos já existentes, ampliando qualidade e valor nutricional. Entre as frentes de pesquisa está o desenvolvimento de peptídeos e bioingredientes com potencial antioxidante e antimicrobiano, que podem contribuir para a redução de aditivos em alimentos e para o avanço de produtos com perfil clean label. “Esta iniciativa nasce da nossa convicção de que ciência, tecnologia e inovação são essenciais para garantir a segurança alimentar em um mundo em rápida transformação”, completa Tomazoni.

O avanço da biotecnologia tem impulsionado setores estratégicos da economia global ao viabilizar produtos de alto valor agregado, associados à eficiência produtiva, responsabilidade ambiental e segurança alimentar. Nesse contexto, o centro integra sequenciadores de última geração, análises moleculares avançadas e análise integrada de dados biológicos (DNA, proteínas e metabolismo), além de capacidade completa para culturas celulares, de micro-organismos e de plantas.

A unidade integra competências que vão da ciência básica à ciência aplicada (Divulgação/Divulgação)

Essa infraestrutura posiciona a JBS Biotech como um centro de excelência em inovação e reduz a distância entre ciência, indústria e consumidor. Também permite o mapeamento detalhado de perfis biológicos e nutricionais, abrindo caminho para aplicações futuras em nutrição personalizada.

Um dos pilares dessa visão é a estruturação de um biobanco, com armazenamento criogênico de amostras biológicas, que amplia a valorização de matérias-primas da cadeia agroindustrial.

Sustentada por um time de cientistas e especialistas altamente qualificados, a unidade integra competências que vão da ciência básica à ciência aplicada, incluindo engenharia química, bioquímica, bioprocessos e ciência de alimentos.

Aprofundar o modelo de economia circular já consolidado pela JBS é outro eixo estratégico. Tecnologias de extração e bioconversão permitem transformar coprodutos em bioingredientes de maior valor agregado, como proteínas funcionais, suplementos alimentares e compostos bioativos.

“Mais do que o produto final em si, o grande valor da biotecnologia está no aprendizado científico que esse processo proporciona”, afirma Tomazoni. “A geração contínua de conhecimento constitui um ativo estratégico que assegura propriedade intelectual, orienta decisões e sustenta a competitividade”.

A cadeia produtiva também amplia o aproveitamento de recursos, com aplicações em setores como insumos farmacêuticos, cosméticos, médicos e de suplementos alimentares. “Estamos mapeando aquilo que hoje é tratado como subproduto para desenvolver novas aplicações industriais”, diz Fernanda Berti.

Ganhos de produtividade

Na saúde animal, a biotecnologia apoia o desenvolvimento de produtos veterinários mais seguros e eficientes, contribuindo para a prevenção de doenças e melhoria do desempenho produtivo.

Além disso, o uso combinado de ciência de dados e biotecnologia permite ganhos de produtividade, redução de perdas e uso mais racional de recursos.

A inauguração se conecta a iniciativas anteriores da companhia em biotecnologia, incluindo investimentos em proteína cultivada na Europa. Com a nova unidade no Brasil, a JBS amplia sua capacidade de desenvolver soluções em diferentes frentes da cadeia de alimentos.

Em um cenário de crescimento da demanda global por proteína, o avanço da ciência amplia as possibilidades de desenvolvimento de alimentos com maior precisão funcional. “Nossa missão é tangibilizar o conhecimento biotecnológico”, resume Fernanda Berti.

A JBS é uma empresa global líder em alimentos, com portfólio que inclui frango, suínos, bovinos, cordeiros, peixes e proteínas vegetais. A companhia emprega mais de 282 mil pessoas, opera em mais de 20 países e distribui produtos para cerca de 180 mercados, com marcas como Friboi, Seara, Swift, Pilgrim’s Pride, Moy Park, Primo e Just Bare.

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