JBS registra receita recorde de US$ 21,6 bi no 1T26, mas lucro cai 56%
O lucro líquido atribuído aos acionistas da JBS somou US$ 221 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 56% frente aos US$ 500 milhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado por ação recuou de US$ 0,47 para US$ 0,21. A companhia não divulga linha de lucro ajustado, realizando os ajustes ao nível de EBITDA e resultado operacional.
O EBITDA ajustado pelo critério IFRS (padrão contábil internacional, adotado no Brasil e na Europa) totalizou US$ 1,133 bilhão, retração de 25,8% na comparação anual. Pelo critério USGAAP (padrão contábil americano, que trata diferentemente itens como arrendamentos e ativos biológicos), o indicador caiu 30,2%, para US$ 917 milhões. A queda reflete principalmente o resultado negativo da Beef North America, pressionada pelo ciclo de baixa do rebanho bovino nos Estados Unidos, e da Pilgrim's Pride, afetada por paralisações temporárias de plantas e eventos climáticos adversos.
As margens seguiram a mesma trajetória. A margem EBITDA ajustada pelo IFRS recuou de 7,8% para 5,2%, compressão de 2,6 pontos percentuais. A margem bruta consolidada saiu de 13,4% para 10,8%, e a margem operacional ajustada foi de 5,1% para 2,4%. Entre os destaques positivos, Seara manteve margem EBITDA de 15,5% e JBS USA Pork foi o único segmento a expandir margem, de 12,4% para 13,5%.
A receita líquida consolidada atingiu US$ 21,6 bilhões, alta de 11% sobre o 1T25. O crescimento foi puxado pela JBS Australia (+32,3%, para US$ 2,1 bilhões), JBS Brazil (+19,5%, para US$ 3,8 bilhões) e Seara (+10,6%, para US$ 2,4 bilhões). A Beef North America registrou receita recorde para um primeiro trimestre, de US$ 7,2 bilhões (+11,6%), mesmo em ambiente de oferta restrita de gado, com importações do México ainda bloqueadas. A Pilgrim's Pride avançou 1,6%, para US$ 4,5 bilhões, e a JBS USA Pork cresceu 1,5%, para US$ 2,0 bilhões, com recordes de vendas em ambos os segmentos.
O custo dos produtos vendidos totalizou US$ 19,3 bilhões, avanço de 14,1%, ritmo superior ao crescimento da receita e principal vetor da compressão de margens. O preço médio do boi vivo no Brasil subiu 6% na comparação anual, segundo o CEPEA-ESALQ, enquanto nos EUA o aumento dos preços do gado superou a valorização dos cortes, deteriorando os spreads da operação norte-americana especialmente em janeiro e fevereiro. As despesas com vendas somaram US$ 1,3 bilhão (+9,7%), enquanto as despesas gerais e administrativas se mantiveram estáveis em US$ 556 milhões.
O capex do trimestre somou US$ 566 milhões, mais que o dobro dos US$ 265 milhões investidos no 1T25. A companhia atribui o aumento majoritariamente a investimentos de expansão, que também contribuíram para pressionar o fluxo de caixa no período.
A dívida bruta encerrou março de 2026 em US$ 21,4 bilhões, ante US$ 19,9 bilhões um ano antes. A dívida líquida chegou a US$ 17,9 bilhões, contra US$ 14,8 bilhões no 1T25, elevando a alavancagem de 1,99x para 2,77x (dívida líquida sobre EBITDA dos últimos 12 meses). A cobertura de juros recuou de 7,75x para 5,75x. A companhia destaca que o prazo médio proforma da dívida é de 15,6 anos, com custo médio de 5,7% ao ano.
O fluxo de caixa operacional foi negativo em US$ 789 milhões, piora em relação ao saldo de -US$ 555 milhões no 1T25. O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 1,467 bilhão, ante -US$ 918 milhões no mesmo trimestre do ano anterior. A companhia explica que o primeiro trimestre é sazonalmente marcado por consumo de caixa, pela concentração de pagamentos a fornecedores de gado e suínos. A piora adicional reflete o EBITDA menor em cerca de US$ 400 milhões, o avanço de aproximadamente US$ 300 milhões no capex e o efeito de US$ 252 milhões em contas a pagar por diferimento de fornecedores de gado no quarto trimestre de 2025.
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