Jeffrey Epstein: quem foi o financista americano acusado de tráfico sexual de menores
Jeffrey Epstein foi conhecido por sua riqueza, suas conexões com elites políticas e financeiras e pela acusação e prisão por tráfico sexual de menores.
Epstein nasceu em uma família de classe trabalhadora em Brooklyn, Nova York. Após cursar parte da universidade em Nova York sem concluir um diploma, iniciou sua carreira como professor de matemática e física na Dalton School, uma instituição particular em Manhattan, onde conheceu profissionais ligados ao mercado financeiro.
No final da década de 1970, Epstein entrou na indústria financeira como investidor iniciante e, posteriormente, trabalhou no banco de investimentos Bear Stearns, onde foi descrito como um profissional em ascensão antes de deixar a empresa no início dos anos 1980.
Como Epstein ficou rico?
Em 1988, Epstein fundou a J. Epstein & Company, uma firma que afirmava prestar serviços de gestão de fortuna para indivíduos com patrimônio líquido superior a US$ 1 bilhão. Seu maior cliente conhecido foi o bilionário Leslie H. Wexner, fundador de grandes marcas de varejo como Victoria’s Secret, Bath & Body Works e Abercrombie & Fitch.
Wexner concedeu a Epstein poderes extensivos sobre grande parte de suas finanças e propriedades, incluindo a mansão em Manhattan que mais tarde se tornaria a residência principal de Epstein.
Apesar de Epstein afirmar que seus serviços se restringiam a clientes extremamente ricos, a origem exata de sua fortuna nunca foi totalmente esclarecida.
Documentos financeiros e análises de especialistas indicam que boa parte de sua renda veio de serviços de gestão de ativos e consultoria financeira para poucos clientes muito ricos, além de benefícios fiscais em jurisdições como as Ilhas Virgens Americanas, onde Epstein estabeleceu empresas que lhe proporcionaram grandes economias de impostos.
Propriedades e estilo de vida
A riqueza de Epstein se refletiu em um portfólio de propriedades de luxo e ativos de alto valor, além da ilha que está no centro das acusações envolvendo o empresário. Quando morreu, em 2019, a fortuna de Jeffrey Epstein era estimada em aproximadamente US$ 578 milhões, com ativos em propriedades, investimentos e dinheiro líquido.
Entre os bens que possuía estavam:
Uma mansão em Manhattan, histórica residência onde recebeu convidados influentes;
Uma grande residência em Palm Beach, Flórida;
Apartamentos de luxo em Paris, França;
Uma vasta fazenda em Novo México (conhecida como Zorro Ranch).
Duas ilhas privadas nas Ilhas Virgens Americanas — Little St. James e Great St. James, envolvidas como centro dos escândalos sexuais;
Epstein também possuía aeronaves particulares, incluindo um Boeing 727 — apelidado pela imprensa internacional de “Lolita Express” — que era usado para transportar convidados e às vezes associado a viagens que incluíam menores de idade.
Essas propriedades e ativos constituíam um estilo de vida de alto padrão e também se tornaram elementos centrais de investigações posteriores sobre suas atividades e acusações.
Além disso, Epstein mantinha um círculo social repleto de bilionários, políticos e outras figuras relevantes, como:
Acusações e condenações por crimes sexuais
A trajetória de Epstein esteve marcada por acusações de abuso e tráfico sexual de menores por décadas. Ele começou a ser investigado por abuso sexual de menores no início dos anos 2000, quando uma família em Palm Beach denunciou que ele havia abusado de uma menina de 14 anos em sua propriedade.
As investigações subsequentes ligaram Epstein a múltiplos casos envolvendo menores de idade, pagamentos e outras condutas ilícitas.
Em 2008, Epstein celebrou um acordo judicial no qual se declarou culpado de pedir prostituição envolvendo uma gator menor de idade, o que resultou em uma pena leve de 13 meses de prisão com liberdade diária controlada. Esse acordo foi amplamente criticado por especialistas e vítimas por sua relativa leniência frente à gravidade das acusações.
Décadas depois, em julho de 2019, ele foi preso novamente por acusações federais de tráfico sexual de menores, com base em alegações de que teria mantido um esquema de aliciamento em várias de suas propriedades.
Morte na prisão
Enquanto aguardava julgamento em uma prisão federal em Manhattan, Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua cela em 10 de agosto de 2019, aos 66 anos.
A causa oficial foi registrada como suicídio por enforcamento, embora sua morte tenha gerado grande controvérsia pública e teorias sobre possíveis falhas no sistema prisional.
Após sua morte, milhares de documentos relacionados ao seu caso e à sua rede de contatos foram liberados gradualmente pelas autoridades.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: