Jovens fogem dos aluguéis e buscam quartos em conventos em Nova York

Por Ana Luiza Serrão 20 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Jovens fogem dos aluguéis e buscam quartos em conventos em Nova York

Em uma cidade onde encontrar um apartamento acessível se tornou quase uma missão impossível, alguns moradores de Nova York passaram a recorrer a uma alternativa pouco convencional. Já imaginou viver em um convento sem ser uma freira? Essa já é a realidade de quem está buscando um custo menor.

Fontes ouvidas pelo Wall Street Journal destacam que residências administradas por freiras vêm atraindo estudantes, jovens profissionais e recém-chegados à cidade em busca de uma forma de escapar dos aluguéis cada vez mais altos. O valor equivale a uma fração do preço de um imóvel convencional.

Essas moradias oferecem quartos mobiliados, refeições, contas incluídas e um forte senso de comunidade.

Foi assim que Katie Rettig, de 32 anos, encontrou uma solução para seu problema habitacional. Ao chegar a Nova York com duas malas de mais de 20 quilos, um emprego começando no dia seguinte e nenhum lugar para morar, ela se deparou com aluguéis temporários mobiliados em Manhattan que chegavam a US$ 5 mil por mês.

A saída para Retting apareceu apenas na 15ª página de uma busca no Google, que continha justamente o anúncio de um convento. Poucos dias depois, ela já estava instalada em uma residência administrada por freiras no bairro de Chelsea. O quarto era mobiliado, o preço cabia no orçamento e um jantar quente era servido todas as noites.

A experiência foi tão positiva que, após algumas semanas, ela se mudou para outra residência religiosa no Upper East Side, onde permaneceu por quase um ano. "Eu confio mais em freiras do que em pessoas aleatórias do Facebook Marketplace", afirmou.

Aluguel é baixo, mas tem algumas condições

Dependendo da residência, há toque de recolher às 23h ou meia-noite, restrições à entrada de visitantes nos quartos e proibição de bebidas alcoólicas. Em uma das casas visitadas pelo WSJ, as freiras acompanham de perto a rotina das moradoras, realizam inspeções periódicas nos quartos e até avaliam os namorados delas.

Apesar das regras, muitas moradoras afirmam que a convivência se transforma rapidamente em uma rede de apoio. No Centro Maria, no Bronx, cinco freiras dividem o prédio com 21 residentes. Todas as manhãs, elas preparam o café da manhã, ajudam a organizar eventos sociais e acompanham de perto o dia a dia da casa.

"Adoro morar com as meninas. Elas me mantêm jovem", relatou uma freira ao jornal. O vínculo é tão próximo que algumas religiosas relatam ficar acordadas até que todas as moradoras retornem para casa. "Eu não vou para a cama se não souber onde alguém está", acrescentou outra freira.

Algumas das poucas residências religiosas que continuam operando já acumulam listas de espera de vários meses, de acordo com o WSJ.

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