Jovens reivindicam América Latina mais justa e com mais oportunidades em carta

Por EFE 6 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Jovens reivindicam América Latina mais justa e com mais oportunidades em carta

Os jovens latino-americanos querem ser protagonistas na tomada de decisões e ter mais oportunidades, de acordo com uma carta aberta elaborada por jovens selecionados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para participar de uma imersão de dois dias de debates em Brasília.

O encontro 'Governos do Futuro: Expectativas da Juventude', organizado em maio pelo programa da ONU com o apoio da Agência EFE, teve como principal resultado essa declaração sobre o futuro da democracia, que inclui demandas dirigidas às autoridades.

Para o participante Keven Paca, estudante de Geografia de 22 anos que vive na periferia de Brasília, as propostas, dirigidas aos governantes da região, cristalizam o que importa para as juventudes.

"Conseguimos criar propostas que se transformaram em uma carta, que espero que seja recebida com muito carinho e respeito por nossos governantes para que possamos ter uma América Latina e um Caribe melhores, mais justos e com mais oportunidades para os jovens", declarou Paca à EFE.

Proteção contra a desinformação

A Carta da Juventude pelo Futuro da Democracia consiste em uma declaração política de cinco pontos com pedidos concretos ao Estado, para garantir a participação política dos jovens, a aplicação de políticas de inclusão e de proteção contra a desinformação.

O ponto mais inovador foi o pedido de regulação das plataformas digitais para garantir a transparência dos algoritmos e a responsabilização das 'big techs' pela divulgação de conteúdos falsos.

De forma paralela, a declaração pediu a incorporação da alfabetização midiática e digital no currículo escolar, para dar ferramentas aos jovens para se protegerem contra a desinformação, que se agrava com o uso cada vez maior da inteligência artificial.

O documento também demanda uma maior proteção contra a violência contra jovens mulheres, negros, indígenas e minorias sexuais, assim como a garantia de direitos e serviços para as populações vulneráveis e marginalizadas.

Além disso, o texto reivindica ao Estado que garanta o trabalho digno e o tempo livre para que a juventude possa exercer plenamente seus direitos como cidadãos.

Perspectivas elevadas, otimismo limitado

Durante o fórum, o público também participou de uma enquete sobre sua percepção do futuro da democracia na América Latina, que mostrou perspectivas elevadas, mas com poucas esperanças de reformas efetivas.

Ao todo, 83,7% dos participantes do encontro consideraram um cenário ideal que ocorra uma reforma institucional destinada a garantir que a juventude se converta em um "ator político central", uma situação muito distante de sua percepção da realidade.

Por outro lado, 46% dos participantes consideraram que o cenário mais provável é que no futuro próximo se mantenha o sistema democrático atual, sem grandes mudanças, e 31% vislumbram um crescimento dos discursos populistas que transformaram a América Latina na região com um grau mais acentuado de polarização política.

Esse diagnóstico foi compartilhado por jovens de toda a América Latina, que participaram do evento em vídeos compilados por jornalistas da Agência EFE em países como Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Paraguai, República Dominicana e Venezuela.

Esses jovens concordaram que o distanciamento das novas gerações em relação à política não responde a uma apatia intrínseca, mas a barreiras estruturais e a um acentuado "adultocentrismo" nas instituições públicas.

Eles alegaram que a atividade partidária deixou de ser vista como uma vocação e se transformou em um "negócio elitista" monopolizado por cúpulas de poder.

Para reverter essa crise, os jovens propuseram soluções urgentes que incluem transitar em direção a um "voto consciente", democratizar os partidos políticos e transformar os processos eleitorais em verdadeiros sistemas de fiscalização cidadã.

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