Leilões de arte somam US$ 2,5 bi e recuperam confiança do mercado

Por Gustavo Frank 26 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Leilões de arte somam US$ 2,5 bi e recuperam confiança do mercado

Há uma semana, um quadro de Jackson Pollock foi a leilão na Christie's e saiu por US$ 181,2 milhões após sete minutos de lances — recorde para o artista, a quarta mais cara já vendida publicamente e o resultado mais simbólico de uma temporada que o mercado precisava muito que desse certo. A obra em questão é a “Número 7A”, de 1948, considerada "a última grande pintura de 'gotejamento' ainda em mãos privadas".

O valor exorbitante não é um caso isolado no mercado de arte nos últimos tempos. Christie's, Sotheby's e Phillips venderam juntas US$ 2,5 bilhões em arte na primavera deste ano, incluindo as taxas de comprador. Na mesma janela do ano passado, o total havia sido US$ 1,3 bilhão.

Parte do resultado vem de um calendário favorável: mais de US$ 1 bilhão saiu dos espólios de S.I. Newhouse Jr., editor-chefe histórico da Condé Nast, do marchand Robert Mnuchin e da filantropa Agnes Gund. "Estamos num momento de recuperação puxada pela qualidade, em grande parte por essas coleções de um único dono", disse Drew Watson, do Bank of America, ao 'The New York Times'.

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Para garantir que obras importantes atingissem preços fortes, as casas apostaram em duas frentes: espetáculo e engenharia financeira. A Christie's produziu um vídeo promocional com Nicole Kidman dançando em torno de uma cabeça de bronze de Brancusi. Também firmou acordos prévios com compradores dispostos a arrematar determinados lotes por um valor combinado — ou, se superados por outro lance, a receber uma taxa de financiamento da própria casa.

Mais da metade dos lotes nas vendas noturnas carregava esse tipo de garantia de terceiros, o que significa que US$ 1,4 bilhão em arte estava tecnicamente pré-vendido antes de qualquer leilão começar. Entre as peças nesse arranjo: o "Arlequin (Buste)" de Picasso, arrematado por US$ 42,6 milhões, e a "Danaïde" de Brancusi, que bateu recorde de categoria com US$ 107,6 milhões.

O mecanismo já existia, mas ganhou escala. Cinco anos atrás, colecionadores resistiam à ideia de disputar com alguém que tinha informação privilegiada. Hoje, a ausência de garantia é que levanta suspeita. "Quando você não vê isso, as pessoas se perguntam por quê", disse Caroline Sayan, da consultoria Cadell North America, ao 'NYT'.

A seletividade foi cirúrgica. As casas evitaram artistas jovens sem histórico sólido em leilão e estimativas otimistas demais — memória recente do busto de Giacometti que travou na Sotheby's no ano passado, com estimativa de US$ 70 milhões e comprador nenhum.

Nesta temporada, obras entre US$ 10 milhões e US$ 40 milhões superaram suas estimativas em apenas um terço dos casos. Na faixa de US$ 1 milhão a US$ 10 milhões, o índice foi quase de 50%, com margens maiores. Na Christie's de segunda-feira, cinco compradores disputaram um retrato de Alice Neel de 1967 até US$ 5,7 milhões — mais que o triplo da estimativa máxima e novo recorde para a artista.

Obras de artistas nascidos depois de 1975 caíram pela metade em relação ao pico de 2023, segundo a ARTDAI. Os que chegaram às vendas noturnas venderam todos acima da estimativa, mas eram apenas onze lotes. As casas não abriram espaço para muito mais. Mulheres representaram menos de 20% das obras oferecidas. O mercado voltou, mas ainda voltou para os mesmos. "Estamos num momento de confiança reestabelecida no topo", disse Bonnie Brennan, CEO da Christie's.

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