Lime, de patinetes elétricos, quer levantar US$ 2 bi em IPO nos EUA

Por Da redação, com agências 23 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lime, de patinetes elétricos, quer levantar US$ 2 bi em IPO nos EUA

A Lime, empresa de aluguel de bicicletas e scooters elétricas apoiada pela Uber, entrou com pedido de Oferta Público Inicial (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos em uma tentativa de consolidar sua trajetória como uma das poucas sobreviventes do setor de micromobilidade. Constituída como Neutron Holdings, a companhia pretende listar suas ações na Nasdaq sob o ticker “LIME” e busca uma avaliação próxima de US$ 2 bilhões, segundo o Financial Times.

O movimento marca uma reviravolta para uma empresa que já foi avaliada em US$ 2,4 bilhões em 2019, viu sua avaliação despencar para US$ 510 milhões em 2020 e agora tenta convencer investidores de que encontrou um modelo operacional mais sustentável em um setor marcado por falências e retrações.

A tese por trás do IPO é baseada em escala, densidade urbana e maior eficiência operacional. Segundo documentos enviados à Securities and Exchange Commission (SEC), citados pela Bloomberg, a Lime registrou receita de US$ 886,7 milhões em 2025, alta em relação aos US$ 686,6 milhões do ano anterior. O prejuízo líquido, porém, aumentou de US$ 33,9 milhões para US$ 59,3 milhões no período.

Ainda assim, a empresa argumenta que sua operação amadureceu. Diferentemente de rivais como Bird Global, Bluegogo e oBike — que acabaram entrando em colapso —, a Lime conseguiu ampliar sua frota e aumentar a utilização dos veículos. No ano passado, a frota cresceu quase 20%, enquanto a receita por bicicleta avançou 10%.

Assim como aplicativos de carona ou serviços de entrega, o compartilhamento de bicicletas depende de densidade. Os usuários precisam saber que conseguirão encontrar um veículo quando e onde quiserem. A demanda, portanto, segue a oferta.

A parceria com a Uber é vista como um diferencial importante. Ao integrar os serviços da Lime ao aplicativo da plataforma de mobilidade, a empresa conseguiu ganhar escala e visibilidade rapidamente diante de milhões de usuários.

Outro fator destacado pelo FT é a estratégia seletiva de expansão. Em Londres, por exemplo, a Lime apostou em bicicletas elétricas sem estação fixa (“dockless”), enquanto o sistema tradicional da cidade opera com bicicletas ancoradas em pontos específicos.

Com uma avaliação desejada em US$ 2 bilhões, a Lime seria negociada a cerca de 28 vezes o lucro operacional do ano passado, múltiplo considerado inferior ao de empresas como DoorDash e Deliveroo, e mais próximo ao da própria Uber, de acordo com informações citadas pelo Financial Times.

A expectativa da companhia é que exista espaço para aumentar a rentabilidade sem expansão proporcional de custos. Segundo o FT, a empresa informou que, nas cidades de melhor desempenho, a receita por bicicleta é três vezes superior à média do grupo. Caso a utilização dos veículos aumente 15%, mantendo custos estáveis, o lucro operacional poderia saltar de US$ 70 milhões para mais de US$ 200 milhões.

A durabilidade dos veículos também se tornou um argumento importante. As primeiras scooters da Lime, lançadas em 2018, tinham vida útil de cerca de um mês. Hoje, de acordo com o Financial Times, os veículos chegam a durar cinco anos, reduzindo custos de reposição e depreciação.

Apesar disso, o modelo segue exposto a riscos operacionais. Roubo, vandalismo e desgaste acelerado continuam pressionando despesas. Além disso, o desempenho varia significativamente entre cidades, e a expansão depende de aprovações regulatórias locais e licitações públicas.

Em Londres, por exemplo, o distrito de Richmond trocou recentemente a Lime pela Forest em uma licitação para operação de e-bikes.

Passagem pelo Brasil durou menos de um ano

A trajetória da Lime também inclui uma tentativa frustrada de expansão no Brasil. A startup desembarcou no país em julho de 2019, operando inicialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, em meio ao auge da febre dos patinetes elétricos.

Na época, a empresa já havia captado mais de US$ 765 milhões e chegou ao Brasil como seu 26º mercado internacional. Menos de um ano depois, porém, decidiu encerrar as operações no país como parte de uma estratégia global de corte de custos e concentração em mercados considerados prioritários.

Além do Brasil, a companhia deixou outros países da América Latina, como Colômbia, Argentina, Uruguai, Peru e México, mantendo apenas a operação chilena. Também encerrou atividades em cidades dos Estados Unidos e na Áustria.

Crescimento global sustenta narrativa

Fundada em 2017 em São Francisco, a Lime atualmente opera em mais de 230 cidades e vem ampliando sua presença internacional. Nos últimos anos, lançou operações em mais de 20 cidades, incluindo Tóquio e Atenas.

Em Londres, uma das operações mais relevantes da companhia, o uso das bicicletas disparou durante uma greve do metrô no ano passado. Em 2025, a Lime registrou 3,8 milhões de usuários ativos mensais, alta de 21% na comparação anual.

O IPO será liderado por Goldman Sachs Group e JPMorgan Chase.

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