Livro Bege: Fed vê economia resiliente, mas guerra eleva preços e incertezas

Por Caroline Oliveira 16 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Livro Bege: Fed vê economia resiliente, mas guerra eleva preços e incertezas

O Livro Bege do Federal Reserve (Fed) de março indicou que a atividade econômica dos Estados Unidos seguiu em expansão leve a moderada na maior parte dos distritos, em um cenário marcado por maior cautela entre empresas, pressão de custos ligada à alta da energia e um mercado de trabalho ainda resiliente.

O documento divulgado nesta quarta-feira, 15, também destacou que a inflação permaneceu moderada, mas sob influência crescente das incertezas associadas ao conflito no Oriente Médio.

A atividade avançou em ritmo “leve a moderado” em oito dos doze distritos analisados. Outros dois registraram pouca variação, enquanto dois apontaram retrações leves a moderadas, refletindo um ambiente de maior cautela entre empresas.

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que eclodiu no dia 28 de fevereiro, foi citada como uma das principais fontes de incerteza no período.

Segundo as autoridades monetárias dos 12 distritos, o conflito no Oriente Médio afetou decisões empresariais relacionadas a contratações, formação de preços e investimentos. Diante desse cenário, muitas companhias adotaram postura mais conservadora, enquanto os preços dos combustíveis subiram de forma relevante em diversas regiões.

Consumo cresce, apesar de queda no setor imobiliário

O relatório também destaca que os gastos dos consumidores avançaram ligeiramente, mesmo diante do inverno rigoroso em algumas regiões e da alta dos combustíveis. Ainda assim, diversos distritos relataram sinais persistentes de dificuldades financeiras entre consumidores.

O mercado imobiliário também apresentou enfraquecimento em várias regiões. A combinação de incerteza elevada e aumento das taxas de financiamento reduziu a demanda de compradores por imóveis.

No setor produtivo, a atividade manufatureira avançou em ritmo leve a moderado na maior parte dos distritos. Já o sistema bancário permaneceu estável, com demanda por crédito variando entre estabilidade e leve crescimento.

Emprego segue resiliente

O mercado de trabalho manteve um quadro relativamente equilibrado, de acordo com a publicação. De forma geral, o emprego permaneceu estável ou apresentou leve alta durante o período analisado, com apenas um distrito registrando pequena retração.

A demanda por mão de obra foi descrita como constante, com baixa rotatividade, poucas demissões e contratações concentradas principalmente na reposição de vagas abertas. Vários distritos também observaram aumento na procura por trabalhadores temporários, enquanto empresas continuam cautelosas em relação a contratações permanentes.

Apesar da melhora na oferta de trabalhadores em diversas regiões, persistem dificuldades para preencher cargos especializados, sobretudo em áreas técnicas. Em relação à inteligência artificial, a maioria dos distritos informou que a tecnologia ainda não provocou impactos relevantes sobre o nível geral de emprego.

Ainda assim, algumas empresas relataram ganhos de produtividade associados à IA, permitindo adiar ou reduzir novas contratações. Os salários seguiram em trajetória de alta, embora em ritmo moderado.

Energia lidera pressões de custo

Na inflação, o Livro Bege do Fed indicou crescimento de preços ainda moderado, mas com pressão adicional relevante vinda dos custos energéticos, diretamente influenciados pelo conflito no Oriente Médio.

Todos os distritos relataram alta significativa nos custos de energia e combustíveis. O aumento dos insumos superou, em muitos casos, a capacidade de repasse aos consumidores, pressionando margens corporativas. Além disso, o encarecimento da energia elevou despesas com frete e transporte e impactou produtos como plásticos, fertilizantes e outros derivados de petróleo.

Outras pressões também foram registradas. Em meio ao impacto de tarifas comerciais, vários distritos apontaram alta nos preços de metais, como aço, cobre e alumínio, assim como custos ligados à tecnologia — tanto hardware quanto software — também avançaram no período.

Desempenho regional

Entre os distritos, o desempenho regional foi heterogêneo. Em Boston e Nova York, a atividade apresentou leve retração, pressionada sobretudo pela fraqueza do mercado imobiliário e de parte dos serviços, embora o consumo tenha se mantido relativamente estável.

Na Filadélfia e em Cleveland, o crescimento foi modesto, com destaque para a aceleração da manufatura e da construção — especialmente ligada a data centers no caso de Cleveland.

Richmond e Atlanta registraram expansão moderada e relativamente disseminada entre consumo, turismo e serviços, enquanto Chicago e St. Louis mostraram avanço limitado, com empresas priorizando reposição de vagas e uso maior de trabalhadores temporários.

Já Minneapolis e Kansas City apontaram leve fortalecimento da atividade, com melhora na manufatura e demanda positiva por trabalho, ainda que sob pressão no consumo discricionário.

No sul do país, Dallas relatou crescimento moderado, sustentado por energia e crédito, apesar da desaceleração industrial. Na Costa Oeste, o distrito de San Francisco apresentou atividade mais fraca, com estabilidade geral, leve alta no varejo e desempenho mais negativo em agricultura, construção residencial e parte do setor financeiro.

Leitura do relatório reforça cautela nos mercados

Do ponto de vista dos investidores, o tom do Livro Bege sugere manutenção de uma postura mais prudente no curto prazo. A combinação de crescimento moderado, mercado de trabalho resiliente e pressão inflacionária concentrada em energia pode influenciar expectativas sobre os próximos passos da política monetária do banco central norte-americano.

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