Lobo de 'Game of Thrones' volta à vida após 12 mil anos — e pode se reproduzir
O lobo gigante que serviu de base para os direwolves de “Game of Thrones” pode estar mais próximo de um retorno definitivo ao ambiente natural.
Em abril, cerca de um ano após divulgar a desextinção do lobo-terrível — espécie extinta há aproximadamente 12 mil anos —, a empresa de biotecnologia Colossal Biosciences comunicou que os três indivíduos gerados em laboratório já atingiram um estágio de desenvolvimento que permite reprodução. A informação foi publicada pelo jornal britânico The Telegraph.
Nomeados Rômulo, Remo e Khaleesi, em alusão ao universo de “Game of Thrones” e à personagem Khaleesi, os animais vieram ao mundo em 2025 após um procedimento de engenharia genética que uniu DNA obtido de fósseis com o material genético do lobo-cinzento, considerado seu parente vivo mais próximo. Atualmente, permanecem em uma reserva ecológica protegida nos Estados Unidos.
De acordo com Ben Lamm, CEO e cofundador da Colossal, os pesquisadores utilizaram DNA extraído de um dente com cerca de 13 mil anos e de um crânio estimado em 72 mil anos para reconstruir o genoma da espécie. Com base nisso, células de lobo-cinzento foram modificadas com 15 variantes genéticas específicas do lobo-terrível, dando origem a embriões posteriormente implantados em barrigas de aluguel.
Como foi feita a “desextinção”?
Segundo a empresa, a técnica aplicada foi a clonagem por transferência nuclear de células somáticas, método no qual o DNA de uma célula é inserido em um óvulo doador sem material genético. Três gestações resultaram no nascimento dos filhotes, que vivem em uma área superior a 2 mil acres sob vigilância e monitoramento.
Os lobos-terríveis apresentavam dimensões até 25% maiores que as dos lobos-cinzentos, além de mandíbula mais robusta, cabeça mais larga e pelagem clara e densa. Classificados como hipercarnívoros, alimentavam-se majoritariamente de carne, com destaque para cavalos e bisontes. A extinção ocorreu no fim da última Era do Gelo, possivelmente associada a mudanças climáticas e à redução de presas.
A diretora científica da Colossal, Beth Shapiro, declarou que a reconstrução genômica atingiu um nível de precisão mais de 500 vezes superior ao observado anteriormente, o que ampliou a compreensão sobre a evolução da espécie e permitiu selecionar variantes genéticas com maior segurança para edição.
A Colossal já havia obtido visibilidade ao desenvolver um “rato lanoso”, alterado com genes inspirados no mamute. O principal objetivo da empresa, mas, permanece sendo a recriação do mamute-lanoso até o fim de 2028. Em janeiro, a companhia anunciou uma rodada de financiamento de US$ 200 milhões, alcançando avaliação de US$ 10,2 bilhões.
Para Ben Lamm, a desextinção marca uma nova etapa na biotecnologia e na conservação ambiental. Em declarações reproduzidas pelo Telegraph, ele comparou a iniciativa a um “Parque Jurássico ao contrário”: em vez de reconstruir completamente o DNA de espécies extintas, cientistas introduzem genes desaparecidos em animais atuais, como elefantes asiáticos no projeto do mamute, com o objetivo de resgatar características perdidas ao longo de milênios.
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