Locadora de carros dispara 700% na bolsa. E um short squeeze está por trás do rali
Em menos de quatro semanas, as ações da Avis Budget Group saíram de um patamar deprimido para encostar em US$ 847, uma valorização de até 700% que recolocou a locadora de carros no radar do mercado.
O pico foi atingido na abertura do pregão de quarta-feira, 22, mas não se sustentou. Ao fim do dia, os papéis já acumulavam queda de 48% em relação à máxima, em grande volatilidade.
A companhia vem de dois anos de prejuízos bilionários pressionada pela desvalorização de carros usados e por apostas de custos elevados, como a expansão da frota elétrica.
A disparada, segundo especialistas, não reflete exatamente uma melhora operacional, mas um short squeeze, ou seja, alta e queda intensas das ações.
O que está por trás da alta?
O short squeeze ocorre quando investidores posicionados na queda, chamados vendidos, são forçados a recomprar ações para limitar perdas, criando uma pressão adicional de demanda e elevando ainda mais os preços.
No caso da Avis, o gatilho foi a concentração agressiva de ações nas mãos de dois fundos de hedge.
Documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, denominada SEC, mostram que SRS Investment Management e Pentwater Capital passaram a deter, juntas, 71% dos papéis da companhia.
A Pentwater, por exemplo, ampliou sua participação de cerca de 8% para 22% em poucos meses. Com menos ações disponíveis no mercado, a pressão sobre os vendidos se intensificou rapidamente.
Dados da Ortex repercutidos pela Forbes indicam que cerca de 86% do free float (ações disponíveis no mercado) da Avis estava em posições vendidas nesta semana, perto do recorde histórico.
O resultado ocasionou muitas recompras, que impulsionaram os preços e geraram perdas estimadas em US$ 5 bilhões para os short sellers, isto é, que apostavam na queda dos papéis, segundo a S3 Partners.
Meme stock? Nem tanto
Em 2021, investidores comuns, articulados em fóruns como o Reddit, passaram a comprar ações de empresas esquecidas em massa e de forma coordenada, forçando uma alta artificial que fez grandes fundos perderem bilhões.
A comparação com os chamados "meme stocks" do período difere um pouco do momento de agora, quando o desequilíbrio da oferta foi provocado, principalmente, por investidores institucionais.
Em novembro de 2021, os papéis chegaram a US$ 545 após resultados acima do esperado e anúncios ligados a carros elétricos. O entusiasmo foi passageiro, assim como atualmente.
Resultados do 1º trimestre
Agora o mercado volta as atenções para os resultados do primeiro trimestre, previstos para maio. Investidores querem sinais de alívio nos custos e resiliência na demanda.
Mas o principal risco está na oferta de ações. Antes do rali, a empresa aprovou a emissão de cinco milhões de novos papéis para reforçar o caixa e reduzir o endividamento, segundo fontes ouvidas pela Forbes.
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