Logística do Meli já ocupa 4 milhões de metros quadrados e tira espaço da Shopee
O Mercado Livre decidiu transformar a logística em um dos seus principais pilares estratégicos no Brasil — e o tamanho da aposta chama atenção. A empresa anunciou um investimento de R$ 57 bilhões em 2026, alta de 50% em relação ao ano anterior. Uma boa parte desses recursos vai ser investido na abertura de 14 novos centros de distribuição e deve levar a companhia a bater a marca de 4 milhões de metros quadrados em galpões no país, de acordo com números da Binswanger Brazil.
"Ainda não definimos exatamente onde vão ser os CDs, dos estados que eles vão ser alocados. Muito provavelmente, vamos seguir fortalecendo o Sudeste, pela demanda muito grande da região. Mas vamos abrir mais fora, em outras regiões também, com a visão de trazer velocidade [de entrega] para todo o Brasil. À medida que trazemos velocidade, a gente cresce o tamanho do mercado", disse Fernando Yunes, vice-presidente executivo de commerce do Mercado Livre à EXAME.
A expansão não é apenas crescimento, mas também uma estratégia para garantir liderança em um mercado cada vez mais competitivo.
Hoje, o Mercado Livre já é o maior ocupante de galpões logísticos do Brasil, com quase 4 milhões de metros quadrados. Com os novos CDs — estimados em mais de 50 mil metros quadrados cada — a companhia deve ultrapassar a marca.
O principal eixo do plano é a expansão do modelo de fulfillment, em que a empresa controla toda a operação, do armazenamento à entrega. A rede passará de 28 para 42 unidades, ampliando em 50% a capacidade de processamento.
O movimento vem acompanhado de 10 mil novas contratações, concentradas em logística, tecnologia e serviços financeiros.
A lógica é clara: quanto maior o controle sobre a entrega, maior a capacidade de reduzir prazos e fidelizar o consumidor. A meta é expandir entregas no mesmo dia ou no dia seguinte, inclusive fora dos grandes centros.
“A garantia de permanecer em primeiro lugar passa pela velocidade da entrega”, afirma Simone Santos, CEO da Binswanger Brazil.
Corrida contra a Shopee
A expansão ocorre em meio ao avanço da Shopee, que já soma cerca de 1,8 milhão de metros quadrados em galpões no Brasil. Embora ainda distante do líder, o crescimento da concorrente é visto como acelerado. A companhia asiática chegou apenas em 2019 no país, enquanto a argentina já está por aqui desde 1999.
“A Shopee apimenta o mercado. Isso acelera decisões e força o Mercado Livre a expandir mais rápido”, diz Santos.
Em um mercado com vacância abaixo de 10% nas principais capitais, a disputa por espaço virou um jogo de antecipação, já apelidado pela EXAME de "War dos galpões".
Na prática, ao anunciar 14 novos centros, o Mercado Livre não apenas cresce — ele também ocupa áreas que poderiam ser capturadas por concorrentes. “Eles não estão só expandindo. Estão tirando 14 lugares da Shopee”, diz Paulo Izuka, head de projetos da Landsight, empresa de inteligencia de mercado do Grupo Binswanger.
Esse avanço ocorre em um momento de oferta restrita de galpões de alto padrão. A demanda por ativos triple A segue elevada, especialmente na região metropolitana de São Paulo.
Com a expansão do Mercado Livre, a tendência é de maior compressão da vacância e aumento da competição por terrenos bem localizados.
Antes dos novos investimentos, a empresa já operava cerca de 94 imóveis no país, com 2,7 milhões de metros quadrados apenas em ativos de padrão A e A+ e quase 4 milhões de metros quadrados considerando todos os tipos de galpões.
Além da escala, o objetivo é capilaridade. O plano mira levar a experiência de entrega rápida — hoje concentrada nos grandes centros — para o interior do país.
A estratégia inclui desde mudanças tarifárias, com foco em peso e volume, até integração com fornecedores internacionais, principalmente da China.
Em paralelo, a companhia testa tecnologias como drones para operações específicas, buscando reduzir prazos de dias para horas.
No fim, a disputa deixa de ser apenas por preço ou sortimento. No e-commerce, a nova fronteira é logística — e quem entregar mais rápido, leva o cliente.
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