Lucro da SoftBank dispara com aposta na OpenAI
A disparada da inteligência artificial (IA) começou a mudar o balanço do SoftBank. O conglomerado japonês encerrou o último ano com lucro de 5 trilhões de ienes, algo superior a R$ 150 bilhões.
O lucro saltou para mais de quatro vezes o nível registrado um ano antes, impulsionado pela disparada da OpenAI, dona do ChatGPT.
O grupo viu, ainda, o lucro do primeiro trimestre mais que triplicar depois que sua participação na OpenAI ganhou cerca de US$ 25 bilhões em valor.
Apenas no trimestre encerrado em março, o lucro líquido chegou a 1,8 trilhão de ienes, muito acima da expectativa média de 235,7 bilhões de ienes projetada por analistas consultados pela LSEG e divulgada pelo Financial Times.
O montante também ajudou as ações do SoftBank a se aproximarem de novo das máximas históricas registradas em 2025. Os papéis fecharam em torno de 6 mil ienes em Tóquio nesta quarta-feira, 13.
Antes havia certo temor de que os investimentos em IA aumentassem demais o endividamento da companhia.
OpenAI muda perfil financeiro do grupo
A OpenAI se transformou no ativo mais importante dentro dos Vision Funds, braço de investimentos em tecnologia do SoftBank. Os fundos registraram ganhos de 3,1 trilhões de ienes no trimestre devido à valorização da empresa.
O primeiro grande investimento do SoftBank na OpenAI aconteceu em 2024, quando a startup era avaliada em US$ 150 bilhões. No mês passado, uma nova rodada de financiamento elevou o valor do empreendimento para US$ 852 bilhões.
Com a conclusão do aporte total de US$ 30 bilhões prevista para outubro, o conglomerado japonês terá investido US$ 64,6 bilhões acumulados na dona do ChatGPT.
Wall Street começa a levantar dúvidas
O tamanho da dependência entre as duas empresas passou a despertar questionamentos no mercado.
O analista da Jefferies, Atul Goyal, analisou que a dinâmica de financiamento da OpenAI pode estar criando um mecanismo de valorização dependente até demais do próprio SoftBank.
"Dos estimados US$ 70 bilhões captados pela OpenAI nos últimos 12 meses, aproximadamente US$ 60 bilhões vieram do SoftBank. Essa concentração cria um ciclo de valorização auto-reforçador", escreveu ao Financial Times.
A avaliação crescente da OpenAI acabou, ainda, fortalecendo os resultados do grupo japonês justamente em um momento em que outras apostas relevantes do Vision Fund enfrentavam desempenho mais fraco.
Participações em instituições como Coupang, DiDi e Grab Holdings registraram perdas que foram compensadas pelos ganhos relacionados à inteligência artificial.
Estratégia de Masayoshi Son ganha novo fôlego
Apesar dos alertas, o desempenho do SoftBank reforçou a visão do seu fundador Masayoshi Son de transformar o grupo em um dos principais polos globais de IA.
A Arm, entidade britânica de design de chips da qual o SoftBank detém 90%, também ajudou a sustentar o otimismo. Ela se tornou estratégica para data centers e infraestrutura de IA diante da demanda por processamento avançado.
Nos Estados Unidos, o grupo também acelerou planos ligados à construção de data centers e avalia abrir o capital de um negócio focado em inteligência artificial e robótica.
A ofensiva ocorre mesmo diante do avanço de concorrentes como Google e Anthropic.
Analistas passaram a demonstrar mais confiança na OpenAI após o lançamento das versões mais recentes de seus modelos de IA, que ajudaram a reforçar a liderança da corporação na corrida global pela IA generativa.
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