Lula conversa com presidente da Bolívia em meio a protestos no país e promete ajuda humanitária

Por Mateus Omena 26 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lula conversa com presidente da Bolívia em meio a protestos no país e promete ajuda humanitária

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone nesta segunda-feira, 25, com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em meio à escalada da crise política e social no país vizinho, marcada por protestos e bloqueios de estradas que já começam a afetar o abastecimento em diferentes regiões bolivianas.

Segundo o Palácio do Planalto, a ligação ocorreu a pedido de Rodrigo Paz. Durante a conversa, Lula determinou o envio de ajuda humanitária à Bolívia, embora o governo brasileiro ainda não tenha informado quais tipos de assistência serão enviados nem o cronograma da operação.

"Os dois mandatários conversaram sobre a situação humanitária enfrentada pela Bolívia em decorrência de protestos e bloqueios de estradas, que vêm provocando o desabastecimento de algumas regiões do país", diz o texto.

Em nota oficial, o governo brasileiro afirmou que Lula manifestou solidariedade à população boliviana e ao governo diante da crise humanitária provocada pelos protestos. O presidente também defendeu a preservação das instituições democráticas e do Estado de Direito, além de reforçar que a saída para o impasse deve ocorrer por meio do diálogo entre o governo e os movimentos sociais.

"O presidente Lula reiterou sua solidariedade ao governo e ao povo bolivianos e ressaltou a importância do pleno respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito. Nesse contexto, defendeu que governo e movimentos sociais evitem o recurso à violência e privilegiem o diálogo como caminho para a superação das divergências e para a preservação da paz social".

Ainda de acordo com o Planalto, Lula destacou a necessidade de evitar episódios de violência e preservar a estabilidade social durante as negociações.

Cenário de tensão na Bolívia

A crise na Bolívia se intensificou nas últimas semanas. Na quarta-feira passada, Rodrigo Paz anunciou mudanças no gabinete ministerial para incluir representantes de setores sociais que cobram maior participação no governo, em uma tentativa de reduzir a pressão nas ruas.

Com apenas seis meses de mandato, Paz enfrenta protestos liderados principalmente por grupos indígenas, agricultores e mineiros. Os manifestantes mantêm bloqueios em estradas de La Paz e regiões próximas há cerca de três semanas, em meio ao agravamento da crise econômica considerada a mais severa do país nas últimas quatro décadas.

Redução salarial

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou nesta segunda-feira, 25, a redução de 50% no próprio salário e nos vencimentos dos ministros do governo. A medida foi divulgada em meio à escalada da crise política e aos protestos que bloqueiam estradas e pressionam pela renúncia do presidente.

Durante discurso em Sucre, capital constitucional boliviana, Rodrigo Paz afirmou que o corte representa um gesto de compromisso da administração federal diante da situação econômica e social enfrentada pelo país.

Dados da última tabela salarial disponível no Ministério da Presidência da Bolívia indicam que Rodrigo Paz recebia cerca de R$ 17 mil mensais, enquanto os ministros tinham salários próximos de R$ 15 mil. Com a mudança anunciada, os vencimentos passam para aproximadamente R$ 8 mil e R$ 7 mil, respectivamente.

Quais são as reivindicações dos manifestantes?

A Bolívia entrou na quarta semana consecutiva de manifestações e bloqueios, com impactos sobre o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos em cidades como La Paz e El Alto. A escassez já afeta mercados, hospitais e postos de gasolina, segundo relatos locais à agência Reuters.

Os atos públicos pedem a revisão das medidas de austeridade fiscal adotadas pelo governo e cobram ações contra o aumento do custo de vida. Nas últimas semanas, dezenas de rodovias de acesso a La Paz foram interditadas por manifestantes.

A inflação boliviana chegou a 14% em abril na comparação anual, segundo dados citados pelo governo. O cenário econômico ocorre após Rodrigo Paz assumir a presidência, em novembro, em meio à maior crise econômica do país em quatro décadas.

O presidente defendeu a política de contenção de gastos e a redução dos subsídios aos combustíveis como medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas. Em meio às manifestações, também descartou negociar com grupos envolvidos em ações violentas.

"Uma minoria não pode governar, uma minoria não pode nos abusar e faremos cumprir a Constituição com firmeza", afirmou.

Durante sessão da OEA, Organização dos Estados Americanos, realizada na última quarta-feira, 20, o chanceler boliviano Fernando Aramayo afirmou que os protestos tentam alterar a “ordem democrática e constitucional” do país.

O governo boliviano também atribui parte da mobilização ao ex-presidente Evo Morales, investigado em um caso relacionado a suposto tráfico de uma menor de idade e atualmente considerado foragido pela Justiça boliviana.

Por outro lado, Morales pediu neste domingo, 24, a convocação de novas eleições presidenciais. "Tem dois caminhos: uma decisão suicida, a militarização, ou (...) pacificação, transição e eleições em 90 dias", declarou durante programa transmitido pela rádio Kawsachun Coca.

Na última quinta-feira, 21, Rodrigo Paz já havia anunciado mudanças ministeriais como tentativa de reduzir a tensão política. O advogado Williams Bascopé assumiu o Ministério do Trabalho no lugar de Edgar Morales.

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