Lula critica Trump e diz que não faria ameaças ao Brasil 'se soubesse o que é um nordestino nervoso'

Por Mateus Omena 11 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lula critica Trump e diz que não faria ameaças ao Brasil 'se soubesse o que é um nordestino nervoso'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira, 10. Ele afirmou que o líder americano está "ameaçando todo mundo", em meio ao envolvimento do governo americano no conflito com o Irã.

A declaração foi feita durante agenda oficial em Sorocaba, interior de São Paulo. O chefe de Estado participou de visita ao novo prédio do Campus Sorocaba do Instituto Federal de São Paulo.

"O mundo está difícil. O Trump está aí ameaçando todo mundo. Trump não sabe o que é um pernambucano. Senão ele não vai fazer ameaça nunca aqui. Se ele soubesse da minha descendência com Lampião ele tomava muito cuidado. Se ele soubesse o que é um nordestino nervoso ele não brigaria com o Brasil. De qualquer forma, não queremos guerra. Queremos paz", declarou Lula.

Atritos entre EUA e Irã

No mesmo dia, Trump voltou a adotar discurso mais duro em relação ao Irã. Em uma publicação na rede social Truth Social, ele criticou o controle de Teerã sobre o Estreito de Ormuz e afirmou que o país "só está vivo hoje para negociar".

Representantes dos Estados Unidos e Irã têm reunião prevista para este sábado, 11, no Paquistão, em um cenário de cessar-fogo considerado instável. Autoridades iranianas afirmam que o acordo já teria sido violado por adversários, entre eles Israel.

O presidente brasileiro já havia feito referência semelhante no início do ano, ao mencionar, em tom informal, que seu "parentesco com Lampião" poderia influenciar a postura do líder norte-americano em relação ao Brasil.

Relações de Lula com Trump

Durante o evento nesta sexta-feira, Lula reiterou a posição do país em defesa da paz.

"Queremos paz. Nós queremos ter acesso a cultura, passear, estudar, namorar, brincar. Só queremos coisa boa. Quem quiser guerra, vai para o outro lado do planeta porque aqui somos a terra de paz e do amor. Aqui somos a terra de quem não tem medo de ser feliz."

Em 26 de janeiro, Lula e Trump conversaram por telefone e discutiram a realização de um encontro em Washington. A previsão inicial indicava março como possível data, mas o compromisso segue indefinido.

O adiamento ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio e dificuldades na definição de uma agenda bilateral. Entre os temas previstos, estava a cooperação em segurança pública e combate ao crime organizado, pauta considerada prioritária no cenário político brasileiro.

Diante da indefinição da viagem, o Ministério da Fazenda informou que está em fase final de estruturação de uma parceria entre a Receita Federal e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de proteção de fronteiras dos Estados Unidos. A iniciativa tem foco no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

O projeto, denominado Projeto MIT — Mutual Interdiction Team, equipe de interdição mútua —, prevê integração de inteligência e operações conjuntas para interceptar cargas ilegais, como armamentos e entorpecentes.

Conflito no Oriente Médio

Nesta quarta-feira, 8, o Ministério das Relações Exteriores divulgou comunicado sobre o cenário internacional, destacando o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O texto também solicita que os países evitem ações "retóricas" e menciona a inclusão do Líbano nas negociações.

A manifestação ocorreu após entendimento temporário entre o governo norte-americano e o regime iraniano sobre o Estreito de Ormuz, área estratégica por onde circula cerca de 20% da produção global de petróleo.

Trump havia declarado em rede social que uma civilização inteira poderia "morrer".

"Expressa satisfação com a perspectiva de negociações para estabelecimento de acordo de paz abrangente", diz a nota oficial.

"A fim de resguardar um ambiente que conduza à redução de tensões e evite nova escalada, o Brasil conclama as partes a não se engajarem em ações de natureza militar ou retórica", acrescentou o ministério.

O posicionamento integra manifestações internacionais após o anúncio de cessar-fogo envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

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