Lula fecha acordos na Coreia do Sul e eleva relação à parceria estratégica

Por Carolina Ingizza 23 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lula fecha acordos na Coreia do Sul e eleva relação à parceria estratégica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente sul-coreano Lee Jae-myung anunciaram nesta segunda-feira, 23, em Seul, a elevação das relações bilaterais entre os países ao nível de parceria estratégica.

O movimento marca um novo patamar na cooperação entre os dois países e inclui o compromisso de retomar as negociações para um acordo de livre comércio entre a Coreia do Sul e o Mercosul.

Após a reunião bilateral, os dois líderes divulgaram um conjunto de acordos em áreas que vão da agricultura à cooperação empresarial, além da assinatura de dez memorandos de entendimento.

Parceria estratégica e plano de ação

“Decidimos elevar nossa relação bilateral a uma ‘parceria estratégica’”, afirmou Lee em entrevista coletiva, ao se referir à declaração conjunta assinada após o encontro. Até então, Brasil e Coreia do Sul mantinham uma parceria de cooperação integral.

Segundo o presidente sul-coreano, o Plano de Ação Quadrienal Coreia do Sul-Brasil servirá como roteiro para os próximos anos, abrangendo política, economia, cooperação prática e intercâmbio entre cidadãos.

Lula destacou que os dois países apresentaram um plano de ação “com iniciativas concretas para os próximos três anos”.

Retomada das negociações com o Mercosul

Um dos principais pontos do encontro foi o impulso às negociações para um acordo de livre comércio entre a Coreia do Sul e o Mercosul, interrompidas em 2021.

“Sobre as negociações de livre comércio entre o Brasil e a República da Coreia, discutimos caminhos para retomar as negociações interrompidas em 2021”, afirmou Lula.

Lee reforçou que o Brasil é “um membro chave do Mercosul” e reiterou a necessidade de retomar as tratativas. Segundo ele, os dois concordaram que os benefícios da cooperação econômica “devem ser ampliados” aos países vizinhos.

Dez acordos e cooperação em alta tecnologia

Os dois governos assinaram dez memorandos de entendimento em setores como pequenas e médias empresas, saúde, agricultura, espaço, defesa e aviação.

Entre os acordos está a criação de um comitê econômico e comercial de alto nível, copresidido pelas chancelarias e pelos ministérios da Indústria de ambos os países. O objetivo é impulsionar a cooperação em comércio, investimentos, agricultura, energia, economia digital e inteligência artificial.

Na área da saúde, foi firmado um acordo de cooperação regulatória que, segundo Lee, permitirá que os cosméticos sul-coreanos, populares no Brasil, alcancem mais consumidores.

Na agricultura, três acordos focam em segurança alimentar e no fortalecimento da cooperação em tecnologias agrícolas de próxima geração, com vistas ao desenvolvimento sustentável das economias rurais.

Espaço, aviação e minerais críticos

Lee mencionou a tentativa de lançamento do foguete comercial sul-coreano Hanbit-Nano no Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão, em dezembro, e manifestou expectativa de sucesso futuro do projeto.

Também ressaltou a cooperação nas cadeias de suprimentos aeronáuticas e o desejo de avançar no codesenvolvimento de aeronaves civis de nova geração.

Lula afirmou que a transição energética abre novas oportunidades de complementaridade produtiva e destacou as cadeias de minerais críticos como áreas com potencial de agregação de valor. Ele citou ainda espaço para cooperação em alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial.

O presidente brasileiro disse ter comunicado a Lee que a conclusão dos procedimentos sanitários para exportação de carne bovina brasileira poderá beneficiar os consumidores sul-coreanos.

Relações comerciais e agenda asiática

“O Brasil é o principal destino dos investimentos coreanos na América Latina e, com 11 bilhões de dólares, a Coreia é o nosso quarto parceiro comercial na Ásia”, afirmou Lula.

Lula afirmou que a visita a Seul conclui “um ciclo fundamental da política externa brasileira” em seu terceiro mandato, com fortalecimento das relações com a Ásia. Ele lembrou ter visitado China, Índia, Indonésia, Malásia e Vietnã nos últimos três anos.

O presidente brasileiro chegou à Coreia do Sul procedente da Índia, participará de um fórum empresarial e deixa o país amanhã. Em seguida, visitará os Emirados Árabes Unidos.

Intercâmbio cultural e democracia

Os dois líderes também acordaram ampliar o intercâmbio estudantil, o ensino da língua coreana no Brasil e a coprodução audiovisual.

Lula lembrou que o Brasil abriga cerca de 50 mil pessoas de origem coreana, a maior comunidade da América Latina. Ele destacou ainda que o K-pop, as novelas e a culinária sul-coreana têm milhões de consumidores no país.

Antes da reunião, Lee afirmou que ele e Lula chegaram ao topo após infâncias difíceis. O sul-coreano trabalhou em uma oficina têxtil para sustentar a família, enquanto Lula deixou a escola para ajudar em casa.

Lula também mencionou a firmeza e a resiliência das democracias de ambos os países diante de tentativas recentes de golpe de Estado, em referência às ações de seus respectivos antecessores, Jair Bolsonaro e Yoon Suk-yeol.

*Com informações da AFP e EFE

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