Lupo já reduziu custos em 15% ao se mudar para o Paraguai, diz CEO
A fabricante de meias e roupas íntimas Lupo, uma das maiores do Brasil, tomou uma decisão no ano passado: levar sua produção para o Paraguai, para cortar custos e competir com concorrentes que já fabricavam no país vizinho.
A expectativa é que a mudança reduza os custos em 30%. O processo foi iniciado no ano passado e, até agora, resultou em uma economia de 15%.
"A meta é ter uma grande operação instalada, com 400 teares. Atualmente, com 60% da meta, já temos uma redução capturada de 15% do custo", disse Liliana Aufiero, durante evento do grupo Mercado&Opinião, em São Paulo.
"Os ganhos não nascem automaticamente, depende da estabilização da operação, revolução da eficiência, consolidação dos processos. Mas o projeto avança na direção correta. A tese de competitividade é real", prosseguiu.
A unidade no Paraguai demandou investimento de R$ 30 milhões e terá a capacidade de produzir até 20 milhões de pares de meias por ano. A empresa também tem unidades em Araraquara (SP), Itabuna (BA) e Pacatuba (CE), e produz 90 milhões de meias por ano.
Aufiero conta que a decisão de fabricar no país vizinho foi uma forma encontrada para competir com os chineses, que produzem no Paraguai e vendem meias de boa qualidade por um preço muito menor.
"Isso estava destruindo o nosso comércio. Se ele [concorrente] consegue fazer naquele preço, eu também vou conseguir", disse.
O Paraguai oferece impostos menores do que os do Brasil. Há um programa especial para indústrias que isenta a importação de maquinário e matéria-prima e cobra apenas 1% de imposto na exportação.
Dificuldades da mudança
Aufiero ressaltou que não se trata apenas de mudar uma fábrica de lugar, mas que é como se fosse começar uma nova operação.
"Mudar para o Paraguai não é pegar aqui, levar tudo para lá. Não funciona. É implantar uma nova operação, um novo ambiente, outra infraestrutura. Temos que compreender a cultura local, o ritmo de aprendizagem, as relações de trabalho, traduzir o processo para a realidade local, adaptar a gestão, a comunicação e o treinamento. Precisa de presença, paciência e repetição", disse.
A CEO também disse que a logística ainda é desafiadora, especialmente pela necessidade de cruzar a Ponte da Amizade, que une os dois países, e costuma ter trânsito e tráfego intenso.
"A gente quer que a ponte internacional nos permita um fluxo logístico. Está aí o nosso grande problema. A ampliação da operação depende da logística e da infraestrutura, evoluindo no mesmo ritmo de produção", afirmou.
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