Má alimentação infantil pode alterar o cérebro por toda a vida, diz estudo
O consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ricos em gordura e açúcar, durante a infância pode provocar alterações duradouras no cérebro e influenciar o comportamento alimentar até a vida adulta. É o que mostra um novo estudo da University College Cork.
A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, sugere que uma alimentação inadequada nos primeiros anos de vida pode afetar regiões cerebrais responsáveis pelo controle do apetite — mesmo após a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis.
Os pesquisadores também identificaram que certas bactérias intestinais benéficas e fibras prebióticas podem ajudar a reduzir parte desses efeitos.
O impacto dos ultraprocessados no cérebro
De acordo com os pesquisadores, fatores como excesso de alimentos processados, ricos em calorias e pobres em nutrientes, podem alterar circuitos cerebrais ligados à fome, saciedade e comportamento alimentar.
Para as análises, o estudo utilizou modelos pré-clínicos em ratos e mostrou que animais expostos ainda jovens a dietas com alto teor de gordura e açúcar apresentaram mudanças persistentes na forma como se alimentavam na vida adulta.
Essas alterações foram associadas a disfunções no hipotálamo, região do cérebro responsável por regular apetite, metabolismo e equilíbrio energético.
Mesmo após o retorno a uma dieta considerada saudável e à normalização do peso corporal, parte dessas mudanças continuou presente.
Como o intestino interfere no cérebro
Os pesquisadores também investigaram se o microbioma intestinal poderia ajudar a minimizar os impactos causados pela má alimentação no início da vida.
Para isso, os cientistas testaram a bactéria benéfica Bifidobacterium longum junto com fibras prebióticas como FOS e GOS, encontradas naturalmente em alimentos como banana, cebola, alho, alho-poró e aspargos.
Segundo os resultados, tanto os probióticos quanto os prebióticos demonstraram potencial para melhorar padrões alimentares na fase adulta.
O elo entre intestino, cérebro e alimentação
O intestino e o cérebro mantêm uma comunicação constante através do chamado eixo intestino-cérebro. A pesquisa mostra que alterações no microbioma durante fases importantes do desenvolvimento podem influenciar diretamente mecanismos cerebrais relacionados à alimentação.
Segundo a pesquisadora Cristina Cuesta-Martí, primeira autora do estudo, os efeitos de uma dieta inadequada podem permanecer “ocultos” por anos e nem sempre aparecem apenas através do ganho de peso.
Com isso, os cientistas destacam que fortalecer o microbioma desde cedo pode ajudar a manter comportamentos alimentares mais saudáveis ao longo da vida.
Apesar dos resultados promissores da pesquisa, os autores afirmam que ainda serão necessários estudos em humanos para confirmar se intervenções no microbioma intestinal podem reduzir os impactos da má alimentação infantil sobre o cérebro ao longo da vida.
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