Ibovespa tem 6º semana seguida de queda e cai 11% desde a máxima do ano

Por Clara Assunção 22 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa tem 6º semana seguida de queda e cai 11% desde a máxima do ano

O Ibovespa fechou em baixa de 0,81% nesta sexta-feira, 22, aos 176.209,61 pontos, após oscilar entre 174.893,37 e 177.648,58, em um pregão marcado por cautela com o cenário fiscal doméstico e atenção renovada à cena política. O volume financeiro somou R$ 20,8 bilhões.

Desde o dia 14 de abril, quando a principal referência do mercado acionário brasileiro encerrou o dia com alta de 0,33%, aos 198.657,33 pontos, a máxima do ano, o Ibovespa caiu 22.447,72 pontos, o que representa uma variação negativa de aproximadamente 11,3%. De 15 de abril para cá o índice acumula uma série de perdas.

O desempenho da bolsa brasileira destoou do exterior, onde os principais índices acionários encerraram o dia em alta, apoiados por um alívio parcial nas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. No mercado doméstico, porém, prevaleceu a preocupação com o avanço das despesas públicas e os desdobramentos políticos para 2026.

O governo anunciou nesta sexta-feira um aumento expressivo no bloqueio do orçamento de 2026, que passou de R$ 1,6 bilhão para R$ 22,1 bilhões, reforçando as preocupações do mercado com a trajetória fiscal.

Além disso, investidores acompanharam a repercussão da primeira pesquisa Datafolha após as conversas entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliando de três para 9 pontos sua vantagem sobre o senador do PL em uma simulação de primeiro turno.

Petrobras lidera as perdas

Dos 79 papéis que compõem o Ibovespa, 56 fecharam em queda. Entre as blue chips, a Petrobras liderou as perdas entre as ações de maior peso do índice, apesar da leve alta do petróleo no exterior. As preferências (PETR4) caíram 1,05% e as ordinárias (PETR3) recuaram 0,30%.

Os principais bancos também encerraram o pregão no vermelho, com exceção do Banco do Brasil (BBAS3), que subiu 0,58%. Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 1,72%, Santander Brasil (SANB11) perdeu 1,78%, Bradesco (BBDC4) recuou 1,56% e BTG Pactual (BPAC11) caiu 0,81%.

Na contramão do mercado, Vale (VALE3) avançou 0,57%, acompanhando a estabilidade do minério de ferro no exterior. Entre as maiores quedas do índice ficaram Minerva (BEEF3), com baixa de 6,20%, Marfrig (MRFG3), que caiu 4,05%, e Cyrela (CYRE3), com recuo de 3,93%.

Já entre as maiores altas, CSN (CSNA3) subiu 6,15%, Usiminas (USIM5) avançou 5,61% e Azzas 2154 (AZZA3) ganhou 3,86%.

No mercado de commodities, o petróleo encerrou o dia em leve alta, ainda refletindo a incerteza em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã sobre um possível acordo envolvendo cessar-fogo, programa nuclear iraniano e garantias de navegação no Estreito de Ormuz. O Brent avançou 0,69%, a US$ 103,29 o barril, enquanto o WTI subiu 0,11%, a US$ 96,40.

Ambiente de cautela pesou

Para Jucelia Lisboa, economista e sócia da Siegen, a semana foi marcada por um ambiente de cautela influenciado tanto pelo cenário internacional quanto por fatores domésticos.

"No exterior, as tensões entre Estados Unidos e Irã trouxeram volatilidade ao longo dos dias, especialmente pelo potencial de impacto sobre o preço do petróleo. Esse movimento eleva as incertezas em relação à inflação global e às trajetórias de juros, afetando principalmente mercados emergentes, que tendem a se tornar relativamente menos atrativos em um ambiente de juros mais altos nas economias desenvolvidas", afirma.

Segundo a economista, apesar de sinais recentes de avanço nas negociações diplomáticas terem reduzido parte do estresse nos mercados, o tema segue no radar dos investidores.

No cenário doméstico, Jucelia destaca que o risco político e fiscal continua sendo um dos principais pontos de atenção do mercado. "A falta de maior clareza em relação à agenda estrutural e à condução das contas públicas sustenta um nível elevado de incerteza, refletido na percepção de risco dos investidores", diz.

Na avaliação da economista, a semana consolidou três vetores principais para o mercado: a continuidade de um ambiente externo volátil, com impacto sobre inflação e juros globais; a manutenção das incertezas políticas e fiscais no Brasil; e sinais pontuais de estresse no setor corporativo. E para a próxima semana, a expectativa é de continuidade desse cenário mais defensivo.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: