Macron e Meloni propõem coalizão para substituir missão da ONU no Líbano
O presidente da França, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciaram nesta quinta-feira, 25, a intenção de formar uma coalizão internacional para assumir o papel da força de paz da ONU no Líbano após o encerramento da missão atual. A iniciativa prevê uma presença multinacional que atue em coordenação com as Nações Unidas e a União Europeia.
A proposta foi apresentada por Macron após uma reunião com Meloni em Antibes, no sul da França. Segundo o presidente francês declarou à imprensa, o objetivo é reforçar a soberania do Líbano e apoiar as forças armadas do país, evitando que o território se torne um ponto de instabilidade em meio às tensões regionais.
A primeira-ministra italiana afirmou que França e Itália podem contribuir para a criação do novo modelo e defendeu a manutenção de uma presença internacional para impedir um cenário de insegurança após a saída da atual missão da ONU, prevista para 31 de dezembro deste ano.
O anúncio ocorreu durante um encontro que também buscou ampliar a cooperação entre Paris e Roma em áreas estratégicas, como defesa, energia nuclear e tecnologia espacial.
Apesar de liderarem dois dos principais países da União Europeia, Macron e Meloni tiveram relações marcadas por divergências políticas. O presidente francês é identificado com uma linha centrista e pró-integração europeia, enquanto a primeira-ministra italiana lidera uma coalizão formada por partidos de direita e extrema direita.
Nos últimos meses, porém, os dois governos passaram a buscar maior aproximação. O movimento ocorreu em um momento de distanciamento entre Meloni e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após críticas feitas pelo líder americano à primeira-ministra italiana.
O que é a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil)?
Criada em 1978 após a invasão do Líbano por Israel em meio à guerra civil libanesa, é uma missão de paz da ONU composta por cerca de 10 mil militares de 50 países. Tem como principal função garantir que os grupos da região (Hezbollah principalmente) respeitem a chamada Linha Azul, demarcação da ONU para separar os territórios dos dois países, mas que não é oficialmente uma fronteira.
Como missão de paz oficial da ONU, os objetivos da Unifil são definidos pelo Conselho de Segurança da ONU e seu mandato é renovado anualmente - sempre com o pedido libanês.
Com quase 50 anos de atuação, a Unifil é uma das missões de paz mais longevas da história das Nações Unidas, com orçamento de cerca de US$ 474 milhões por ano.
Os capacetes azuis só podem fazer uso da força em legítima defesa ou em algumas hipóteses: impedir que suas instalações sejam usadas para “atividades hostis”, proteger civis, socorristas e funcionários da ONU; garantir a liberdade de ir e vir da população da região, e reagir a tentativas de impedir a missão de cumprir com seu mandato
Os principais países que contribuem com tropas para a Unifil são Indonésia, Itália, Índia, Malásia, França e Espanha. Os Estados Unidos, como principal aliado de Israel, nunca contribuíram com tropas para a missão. Tampouco vetou seu mandato no Conselho de Segurança.
O Brasil tem 11 militares na missão de paz, de acordo com a ONU.
O que muda após o fim da Unifil?
A iniciativa surge após a decisão do Conselho de Segurança da ONU de encerrar o mandato da Unifil em 31 de dezembro de 2026. Atualmente, a UNIFIL reúne cerca de 7.500 militares de aproximadamente 50 países. Apesar da presença da força internacional, a região continuou registrando episódios de conflito ao longo das últimas décadas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que uma presença internacional continuará sendo necessária no Líbano após o término da missão atual. No entanto, uma eventual nova operação pode enfrentar resistência de países como Estados Unidos e Israel.
Para Macron, a nova coalizão teria justamente a função de evitar um período de instabilidade e impedir que o Líbano se transforme em cenário de disputas regionais.
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