Meteorito raro encontrado no Saara sugere que o Sistema Solar perdeu um planeta

Por Vanessa Loiola 6 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Meteorito raro encontrado no Saara sugere que o Sistema Solar perdeu um planeta

O Sistema Solar pode ter sido muito diferente do que conhecemos hoje. Um estudo publicado na revista Earth and Planetary Science Letters revelou que um raro meteorito encontrado no deserto do Saara guarda evidências da existência de um antigo protoplaneta que nunca chegou a se tornar um dos planetas atuais.

A descoberta sugere que, nos primeiros milhões de anos após a formação do Sistema Solar, havia pelo menos mais um grande corpo celeste em desenvolvimento. Segundo os pesquisadores, esse mundo primitivo poderia ter dimensões semelhantes às de Marte, mas acabou sendo destruído antes de completar sua formação.

Vestígios de um planeta perdido

O objeto analisado é o meteorito NWA 12774, encontrado em 2019 no noroeste da África. Ele pertence a um grupo extremamente raro de rochas espaciais conhecido como angritos, considerado um dos materiais vulcânicos mais antigos já identificados.

Dos cerca de 80 mil meteoritos catalogados na Terra, apenas 68 são classificados como angritos.

Ao analisar a composição da rocha, cientistas da Universidade do Colorado identificaram cristais ricos em alumínio chamados clinopiroxênios. Esse mineral normalmente se forma sob pressões muito elevadas, incompatíveis com corpos pequenos como asteroides.

Tamanho semelhante ao de Marte

Com base nas características do meteorito, os pesquisadores concluíram que o objeto provavelmente se formou dentro de um protoplaneta com raio entre aproximadamente 1.000 e 3.300 quilômetros. Isso significa que o corpo original poderia ter tamanho comparável ao de Marte, sendo muito maior do que os asteroides tradicionalmente associados aos angritos.

Segundo os autores do estudo, a descoberta desafia a ideia de que esse tipo de meteorito se formou apenas em pequenos corpos rochosos do início do Sistema Solar.

Embora a causa da destruição desse protoplaneta permaneça desconhecida, os cientistas acreditam que uma grande colisão ocorrida durante os primeiros estágios da formação planetária seja a explicação mais provável.

Os fragmentos resultantes desse evento teriam vagado pelo espaço por bilhões de anos até que alguns deles alcançaram a Terra na forma de meteoritos.

Descoberta ajuda a reconstruir a história do Sistema Solar

Além de revelar a possível existência de um planeta desaparecido, o estudo sugere que havia uma diversidade muito maior de mundos em formação nos primórdios do Sistema Solar do que se imaginava.

Os pesquisadores destacam que os materiais que compõem o meteorito são diferentes daqueles encontrados na Terra e em Marte, indicando que esse antigo protoplaneta seguiu um caminho evolutivo próprio antes de ser destruído.

Para os cientistas, o NWA 12774 funciona como uma cápsula do tempo capaz de preservar informações sobre uma fase pouco conhecida da formação dos planetas, ajudando a reconstruir a história dos primeiros milhões de anos do Sistema Solar.

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