Magalu: juros altos pressionam resultado e lucro recua 42% em 2025
O Magazine Luiza (MGLU3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 124,7 milhões, uma queda de 10,5% em relação ao mesmo período de 2024, quando havia registrado R$ 139,2 milhões. No acumulado do ano, o lucro ajustado somou R$ 158,9 milhões, recuo de 42,6% frente aos R$ 276,7 milhões do ano anterior.
O resultado do balanço financeiro da varejista, divulgado nesta quinta-feira, 12, acontece em um momento em que investidores buscam sinais mais consistentes de recuperação da varejista, que voltou ao lucro em 2024 após anos pressionada por juros elevados e desaceleração do consumo.
A diretora de relações com investidores da companhia da companhia, Vanessa Rossini, destaca que o ano passado foi "emblemático" por conta da alta da taxa básica de juros, a Selic que chegou a 15% ao ano, o maior nível desde 2006 e um patamar superior aos picos de crises anteriores. Segundo a executiva, esse cenário de juros elevados penalizou o lucro final.
"Mesmo nas últimas crises que enfrentamos, a taxa de juros chegou a cerca de 14,75%. Agora, vimos a Selic atingir 15% e passamos parte do ano operando nesse nível de CDI", afirmou Rossini.
"Por isso, quando olhamos para 2025, consideramos um resultado relevante. Conseguimos crescer a receita líquida e registrar lucro líquido mesmo em um cenário de juros muito elevados, além de manter o patamar das nossas vendas totais", acrescentou.
Apesar da queda no lucro, o desempenho operacional do Magazine Luiza mostrou alguma resiliência. O Ebitda ajustado, indicador que mede o resultado da operação antes de juros, impostos, depreciação e amortização, atingiu R$ 867,3 milhões no quarto trimestre, alta de 2,5% na comparação anual.
A margem Ebitda ficou em 7,8%, estável em relação ao mesmo período de 2024. No consolidado de 2025, o Ebitda ajustado totalizou R$ 3,06 bilhões, crescimento de 3,4%, com margem de 7,9%.
Na carta que acompanha o balanço, a companhia afirma que os resultados refletem a estratégia de priorizar rentabilidade e geração de caixa.
A receita líquida da companhia somou R$ 11,15 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, o faturamento chegou a R$ 38,7 bilhões, alta de 1,7%.
Vendas nas lojas físicas batem recorde
O avanço foi puxado principalmente pelo canal físico. Pela primeira vez na história da empresa, as vendas nas lojas físicas superaram R$ 20 bilhões em um único ano, com crescimento de 6% em 2025 e avanço próximo de 9% no quarto trimestre.
Do lado das despesas, o custo total da operação aumentou 3,5% no quarto trimestre e 1,7% no acumulado do ano, em linha com o crescimento da receita. As despesas operacionais ajustadas somaram R$ 2,48 bilhões no trimestre, alta de 3,4%.
Como proporção da receita líquida, essas despesas passaram de 22,9% no quarto trimestre de 2024 para 23,4% no mesmo período de 2025. As despesas gerais e administrativas, por outro lado, apresentaram leve ganho de eficiência, recuando de 3,3% para 3,2% da receita líquida.
O principal fator de pressão sobre o lucro veio do resultado financeiro. As despesas financeiras líquidas ajustadas cresceram 46,8% no quarto trimestre, passando de R$ 390 milhões para R$ 572,5 milhões.
No acumulado do ano, a alta foi de 33,2%, totalizando R$ 2,04 bilhões. Segundo a companhia, o aumento está relacionado principalmente à elevação da taxa Selic, encarecendo o custo da dívida e das antecipações de cartão.
Mesmo com esse impacto, o grupo manteve forte geração de caixa. O Magazine Luiza gerou R$ 2,2 bilhões em caixa operacional no quarto trimestre e R$ 2,7 bilhões no acumulado de 2025. O desempenho permitiu que a empresa encerrasse o ano com posição de caixa total de R$ 8 bilhões e caixa líquido ajustado de R$ 3,1 bilhões, reforçando a liquidez da companhia.
Na carta aos investidores, a empresa também destacou que pretende iniciar um novo ciclo estratégico focado em tecnologia e inteligência artificial, com o objetivo de melhorar a experiência de compra e aumentar a eficiência operacional dentro do ecossistema digital do grupo.
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