Magazine Luiza pode economizar R$ 1 bi se Selic chegar a 7,5%, diz CFO

Por Clara Assunção 9 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Magazine Luiza pode economizar R$ 1 bi se Selic chegar a 7,5%, diz CFO

A perspectiva de queda da Selic já começa a mudar as expectativas do Magazine Luiza (MGLU3) para os próximos trimestres. Após um início de ano ainda pressionado pelo custo elevado do dinheiro, a varejista avalia que um ciclo mais consistente de redução dos juros pode ter impacto direto, e bilionário, sobre suas despesas financeiras.

Durante entrevista à EXAME para comentar os resultados do primeiro trimestre de 2026, o CFO da companhia, Roberto Bellissimo, afirmou que o Magalu poderia economizar cerca de R$ 1 bilhão caso o CDI volte, no futuro, a um patamar considerado mais "normalizado", em torno de 7,5% ao ano.

A declaração ocorre em um momento em que o mercado já projeta continuidade do ciclo de cortes, mas num pamatar ainda bem menor do que poderia causar um impacto positivo bilionário.

Depois de dois movimentos consecutivos de redução promovidos pelo Banco Central nos últimos dois meses, a expectativa predominante entre analistas é de que a taxa básica de juros encerre 2026 próxima de 13% ao ano. Para uma companhia altamente sensível ao custo do crédito, a mudança faz diferença.

O Magazine Luiza encerrou o primeiro trimestre com prejuízo líquido de R$ 33,9 milhões, revertendo o lucro de R$ 11,2 milhões registrado no mesmo período do ano passado. A deterioração foi de 402,7%. Considerando os efeitos não recorrentes, o prejuízo ajustado somou R$ 55,2 milhões.

Boa parte da pressão veio justamente das despesas financeiras líquidas, que avançaram 16,5% no período, passando de R$ 488,1 milhões para R$ 568,7 milhões. Segundo a companhia, o aumento refletiu o ambiente de juros elevados no país, em um trimestre marcado pela Selic em 15% ao ano.

Embora o Banco Central tenha iniciado o ciclo de cortes em março, reduzindo a taxa para 14,75% e promovido nova queda em abril, para 14,50%, os efeitos dessas reduções ainda não apareceram integralmente no balanço do trimestre, que contempla os meses de janeiro a março.

Alívio da queda dos juros vem no 4° tri

Segundo Bellissimo, porém, a melhora começa antes mesmo da queda efetiva da taxa básica porque a empresa trabalha com antecipação de recebíveis atrelada à curva futura de juros. "Quando ela começa a apontar para um nível menor de juros, isso já traz algum benefício", afirmou o executivo.

Na avaliação do CFO, caso a Selic caminhe para algo entre 12% e 13% até o fim deste ano, cenário hoje próximo das projeções de mercado, o Magazine Luiza já deverá sentir uma melhora relevante nas despesas financeiras, especialmente a partir do quarto trimestre.

"Então, a gente já começa no quarto trimestre desse ano a ter um custo de antecipação de recebíveis bem menor do que a gente teve no começo desse ano", disse.

Bellissimo afirmou ainda que investidores costumam apontar o Magazine Luiza como uma das empresas mais beneficiadas em um cenário de queda de juros no Brasil. Isso porque o impacto acontece em diferentes frentes ao mesmo tempo com a melhora o consumo, acompanhada por redução no custo financeiro e ampliação a concessão de crédito.

"Se o CDI tivesse não em 15%, mas em um patamar normalizado de 7,5%, essa despesa financeira seria R$ 1 bilhão menor", afirmou.

A discussão sobre juros altos não é nova dentro do Magalu. Nos últimos anos, a companhia frequentemente associou o ambiente de crédito caro à desaceleração do varejo e à pressão sobre resultados.

Recentemente, em entrevista ao podcast De Frente com CEO, da EXAME, Luiza Helena Trajano, presidente do conselho da empresa, voltou a criticar o atual nível da Selic ao comentar os desafios para empreender no Brasil. "Eu amo esse país. Eu acredito nele. Não gosto dos juros, mas eu amo o Brasil", afirmou.

Na mesma entrevista, Trajano resumiu o impacto do cenário macroeconômico sobre as empresas. "Hoje enfrentamos no Brasil juros de 15% e a burocracia ainda muito grande", disse.

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