Maior coleção de relógios vintage da Cartier vai a leilão na Sotheby's
A Sotheby's vai leiloar mais de 300 relógios vintage da Cartier, no que a casa descreve como o conjunto mais abrangente da maison já apresentado ao mercado.
Batizada de "The Shapes of Cartier: The Finest Vintage Grouping Ever Assembled" ("As Formas da Cartier: O Melhor Conjunto Vintage Já Reunido", em português), a coleção foi reunida ao longo de 25 anos por um único colecionador anônimo, e é estimada em mais de US$ 15 milhões, ou cerca de R$ 76,2 milhões.
O colecionador buscou os melhores exemplares de cada um dos ateliês históricos da Cartier — Paris, Londres e Nova York —, no período em que cada um operava de forma independente. Em comunicado, Sam Hines, presidente global da divisão de relógios da Sotheby's, destacou em comunicado abrangência e a profundidade da coleção, "particularmente pela sua reunião sem precedentes de peças da Cartier London, muitas das quais estão entre os exemplares mais importantes já apresentados no mercado".
As vendas serão divididas em fases ao longo de 2026, dentro dos leilões Important Watches da Sotheby's, em Hong Kong, no dia 24 de abril, em Genebra no dia 10 de maio e em Nova York no dia 15 de junho. Outras etapas seguem até dezembro.
A peça-chave
A joia da etapa de Hong Kong é um Cartier London Crash (foto acima) em ouro amarelo de 1987, com estimativa entre US$ 400 mil e US$ 800 mil. Acredita-se que seja um de apenas três exemplares produzidos naquele ano, e o relógio é oferecido com fivela dobrável original em ouro, caixa e acessórios.
O Crash, com sua caixa deliberadamente distorcida, foi concebido em 1967 nas oficinas da Cartier em Bond Street, em quantidade limitada — estima-se que menos de uma dúzia de exemplares originais tenha saído da produção entre 1967 e 1970.
Por anos, alguns atribuíam a origem do desenho aos relógios derretidos de Salvador Dalí em "A Persistência da Memória", outros a uma Baignoire que teria sido deformada num acidente de carro, que teria inspirado o nome do relógio.
Segundo o livro The Cartiers, de Francesca Cartier-Brickell, citado pela Sotheby's e pela Forbes, a versão real é menos dramática: Jean-Jacques Cartier e o designer Rupert Emmerson partiram da caixa Maxi Oval e moldaram a forma de propósito.
Os modelos
A seleção cobre os desenhos que estruturaram a relojoaria da Cartier ao longo do século 20: Santos — primeiro relógio de pulso da marca —, Tank, Baignoire, Cintrée, Reverso e Octagonal, entre outros.
Aparecem ainda silhuetas mais raras, como Pebble, Maxi Oval, Asymétrique, Decagonal e Driver's, muitas produzidas em séries mínimas pelas oficinas de Londres entre 1967 e 1974, sob direção de Jean-Jacques Cartier.
Relógio Cartier Decagonal, estimado em R$ 305.000–R$ 406.500 (Reprodução/Sotheby's)
Entre os destaques de Londres está um Decagonal de 1970–71 em ouro amarelo, com estimativa entre US$ 60 mil e US$ 80 mil. A Sotheby's identificou apenas cinco exemplares conhecidos do modelo no mercado e lembra que o desenho figurou, em 1967, numa lista de "vencedores" da revista Time Bazaar, vendido por 230 libras na loja de Bond Street.
Relógio Tank Asymétrique, em ouro branco, e relógio Cartier Asymétrique, em ouro amarelo (Reprodução/Sotheby's)
Há também um Tank Asymétrique de 1992 em ouro branco e um Asymétrique com mostrador em esmalte azul de 1973–74, ambos na faixa dos US$ 50 mil a US$ 80 mil. O Driver's de 1966–67, com caixa retangular profundamente curvada, foi pensado para o motorista ler a hora sem tirar a mão do volante, e remete a um modelo equivalente da Cartier Paris de 1933.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: