Maiores fabricantes de contêineres do mundo são acusadas de cartel; ações caem 20%
Fabricantes chinesas de contêineres marítimos sofrerem forte liquidação na bolsa por causa das acusações de cartel feitas pelos Estados Unidos.
Ação da Singamas Container Holdings despencaram mais de 20%. As da China International Marine Containers (CIMC), maior empresa do setor no mundo, caíram 10% nas bolsas de Hong Kong e Shenzhen.
O caso também envolve a Shanghai Universal Logistics Equipment e a CXIC Group Containers, que não são listadas. As quatro empresas investigadas dominam cerca de 95% do mercado mundial de contêineres secos.
Restrições da produção de contêineres
A reação do mercado veio após o Departamento de Justiça dos EUA acusar quatro fabricantes chinesas de coordenar restrições da produção para reduzir a oferta global de contêineres e elevar preços durante a pandemia.
As autoridades estadunidenses afirmam que a suposta prática teria ocorrido entre novembro de 2019 e janeiro de 2024, período marcado pela crise logística global provocada pela covid-19, segundo o Nikkei Asia.
Isso ajudou a impulsionar os preços dos contêineres justamente quando exportadores e transportadoras enfrentavam escassez de equipamentos, congestionamentos em portos e disparada dos custos de frete marítimo.
Balanços das empresas melhoraram
O movimento do suposto cartel levou a Singamas a sair de um prejuízo de US$ 110,2 milhões em 2019 para lucro líquido de US$ 186,8 milhões em 2021.
Na CIMC, o lucro atingiu 6,66 bilhões de yuans no mesmo ano, mais de quatro vezes acima do registrado antes da pandemia.
Nos últimos anos, porém, o mercado virou. Com a normalização das cadeias globais de suprimentos e o excesso de capacidade na indústria, as fabricantes passaram a enfrentar queda de demanda e pressão sobre preços.
O CEO da Singamas, Teo Siong Seng, que também é investigado, relatou que um problema de "superprodução" afetou significativamente o mercado de contêineres secos.
A companhia também detalhou que houve uma demanda fraca no segundo semestre do ano passado, citando incertezas relacionadas às tarifas e à política comercial dos Estados Unidos.
Setor desacelera, com receitas menores
A receita da Singamas caiu quase 60% entre 2021 e 2025, para US$ 481,5 milhões, enquanto o lucro recuou para US$ 17,4 milhões.
Já o lucro na CIMC despencou 97% em relação ao pico da pandemia e caiu para 220,8 milhões de yuans, mostrando uma eventual desaceleração no setor, segundo fontes consultadas pelo Nikkei.
Mas, mesmo com a pressão do mercado, as empresas disseram que seguem operando normalmente. O comentário veio após um funcionário da Singamas, que não ocupa cargo executivo, ter sido detido na França.
Ele aguarda, agora, extradição para os EUA. A companhia contratou assessores jurídicos, no intuito de avaliar possíveis implicações, e disse que nem ela nem seu presidente receberam notificações formais das autoridades.
Acusada junto de três integrantes, a CIMC, por outro lado, destacou em comunicado que "atribui grande importância" ao caso e disse que acompanhará os desdobramentos de forma ativa.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: