Mais da metade dos usuários do Tinder são homens; app quer trazer as mulheres de volta
As mulheres não querem mais voltar aos apps de namoro. Ou, pelo menos, não ao Tinder. O mais popular aplicativo de relacionamentos do mundo tem enfrentado dificuldades para fazer as mulheres se interessarem por ele. Em 2026, o Tinder colocou como prioridade o processo de reconquista de usuárias femininas a mando de Spencer Rascoff, CEO do Match Group desde fevereiro de 2025.
O novo executivo à frente do app de namoro acredita que a parte da equação dominada pelas mulheres é o que falta para o Tinder retomar seu posicionamento e evitar ser categorizado como um ambiente hostil para mulheres de diferentes idades. Para tentar implementar mudança na base demográfica do app, ele contratou novos líderes de departamento e propôs mudanças que combinem mais com os desejos da geração Z e das mulheres.
A mudança vem em um momento que estimativas do Sensor Tower apontam que 75% dos inscritos ativos no Tinder são homens. A empresa de pesquisa também diz o público do app teve uma queda de 15 milhões ao longo de quatro anos, ao passo em que as redes sociais se tornaram refúgio para usuárias compartilharem suas frustrações com encontros a partir de apps de namoro. Para Rascoff, a proposta "gamificada" da plataforma também é um problema para o gênero feminino: "as preferências dos consumidores mudaram bastante nos últimos cinco anos, em particular entre as usuárias, que deixaram de apreciar a mecânica de deslizar e combinar rapidamente", opinou o executivo em entrevista ao Financial Times.
O que o Tinder tem feito para atrair mulheres
Desde que assumiu o Tinder, Rascoff colocou dinheiro e mudanças estruturais na mesa de debates para ferramentas inéditas. O app anunciou um pacote de US$ 60 milhões em melhorias voltadas ao usuário para 2026. Esse montante é quatro vezes superior ao valor de US$ 15 milhões investido nessa frente no ano anterior. O orçamento de publicidade também foi ampliado ao passar de US$ 180 milhões para US$ 230 milhões.
As novidades incluem encontros duplos para tornar a experiência mais confiável, chamadas de vídeo embutidas no aplicativo e ferramentas de conexão baseadas em gostos e interesses em comum, algo que rivais como Bumble têm como destaque.
A empresa já havia compartilhado a intenção de adotar o "slow dating" em 2025, quando detalhou as estratégias pensadas para atrair a geração Z. Entre as novidades pensadas para o público jovem, foi lançado o recurso Share My Date para que usuários possam ficar a par do encontro de amigos. Houve, também, a chegada do canal de segurança 24 horas para mulheres em parceria com a Organização Não Governamental (ONG) Justiceiras, projeto da promotora de justiça Gabriela Manssur.
Hinge cresce em meio a falhas do Tinder
Enquanto o Tinder tenta se recuperar, uma outra marca do próprio grupo avança. O Hinge, já bastante popular nos Estados Unidos, é voltado para quem busca relacionamentos mais sérios. Em 2025, o app registrou um lucro operacional de US$ 166 milhões, o dobro dos US$ 74 milhões alcançados em 2023. Para Rascoff, a ideia de segurança que o Hinge passa aos usuários o coloca em uma posição de "líder de mercado" com facilidade.
Por ora, o desafio é parar o sangramento: Rascoff quer que o Tinder volte a ser eficiente com sua proposta e focará na reformulação da experiência a partir de ferramentas que fazem sucesso em Rivais. Resta, porém, saber se o aplicativo conseguirá uma reformulação de marca suficiente para abandonar a negatividade atribuída à plataforma.
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