Mais que respostas, é preciso questionar as próprias convicções, diz advogada e conselheira

Por Da Redação 16 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Mais que respostas, é preciso questionar as próprias convicções, diz advogada e conselheira

Quando deixou a posição de vice-presidência jurídica para abrir o próprio escritório, em 2020, Joana Batista não estava abandonando uma carreira. Estava, na verdade, executando um plano que já havia sido traçado anos antes.

A advogada baiana, que chegou a São Paulo em 1998, já havia começado a desenhar onde gostaria de estar na década seguinte. A resposta não incluía mais um cargo executivo em uma grande companhia. Incluía dois novos papéis: abrir um escritório de advocacia especializado em infraestrutura e agronegócio e ocupar cadeiras em conselhos de administração.

Cinco anos depois, a aposta se consolidou. À frente do próprio negócio e atuando como conselheira de empresas, Batista divide os dias entre a urgência do presente no escritório Batista, Uchida, Uehbe Advogados e as decisões de longo prazo dos conselhos da Anaconda Industrial e Agrícola de Cereais e dos Conselhos Fiscais do Instituto Devolver e da Escola da Cidade.

“Eu queria construir o escritório que eu gostaria de ter contratado quando estava na vida corporativa”, afirma.

O começo de uma carreira de sucesso

A trajetória que a trouxe até aqui começou longe das salas de conselho. Nascida em Salvador, Joana se mudou para São Paulo no fim dos anos 1990 e construiu carreira entre a advocacia, a academia e o mundo corporativo.

Ao longo dos anos, acumulou experiência em posições de liderança até alcançar o topo da estrutura jurídica de uma grande empresa. Mas a proximidade com a alta gestão também trouxe uma inquietação. Ao observar sua própria carreira em perspectiva, percebeu que o futuro que desejava passava menos pela operação e mais pela construção de valor.

Joana Batista trocou a vice-presidência por um escritório próprio — e uma cadeira no conselho (Arquivo Pessoal)

A mudança exigiu preparação. Antes mesmo da saída definitiva do mundo corporativo, investiu em formação. Em 2018, ela foi aluna da quarta turma do ABP-W, um programa de alto impacto da Saint Paul Escola de Negócios para formação de conselheiras.

Por isso, diz ela, quando finalmente decidiu empreender, a transição já estava em andamento. Mas nem por isso foi simples ou fácil.

E não parou por aí. Em 2023, ingressou no SEER, outro programa, mas este com foco em CEOs, Conselheiros e Acionistas que desejam desenvolver habilidades para navegar pelas incertezas de um mundo complexo e caótico.

Acostumada a liderar dentro de estruturas estabelecidas, ela precisou lidar com desafios típicos de quem cria uma empresa do zero: formar equipe, conquistar clientes, construir reputação e garantir crescimento sustentável.

“Não é só captar clientes. É entregar um trabalho com qualidade, excelência e cuidado.”

Lições para liderar

A experiência dos últimos cinco anos também ampliou sua visão sobre liderança. Se no início da carreira o conhecimento técnico era o principal diferencial, hoje ela acredita que as decisões mais importantes dependem de algo menos tangível: a capacidade de saber escutar com intenção o que o outro diz.

Como conselheira, defende que o papel do conselho não é substituir os executivos, mas ampliar perspectivas, provocar reflexões e ajudar a organização a enxergar além dos desafios imediatos, preparar e ajudar a co-criar a estratégia de longo prazo da companhia, construindo com isso um legado.

“Quando a gente chega para o diálogo com uma convicção pronta e não se deixa influenciar pelo interlocutor, perde uma riqueza enorme na tomada de decisão; perde-se a possibilidade de decidir melhor.”

A observação reflete uma mudança que ela identifica no próprio ambiente corporativo. Temas como saúde mental, riscos psicossociais e comportamento humano passaram a ocupar espaço crescente nas discussões sobre gestão.

A advogada baiana que chegou a SP em 1998 e construiu carreira entre advocacia e conselhos (Arquivo Pessoal)

Para Batista, as empresas vivem uma transição que exige dos líderes mais do que domínio técnico. É por isso que, nos últimos anos, ela buscou programas executivos focados menos em hard skills e mais em compreender como as pessoas pensam, decidem e se relacionam – como o SEER, em que arte, neurociência, cultura e comportamento fazem parte do repertório.

Na prática, diz, liderar significa conviver com a incerteza. E talvez seja justamente essa disposição para questionar que define sua própria trajetória.

Ao trocar uma carreira executiva consolidada pela construção simultânea de um escritório e de uma atuação em conselhos, Joana Batista escolheu um caminho menos previsível. Não por ter todas as respostas, mas porque aprendeu que as melhores decisões raramente nascem de convicções rígidas.

A trajetória de Joana Batista mostra que liderar um legado exige mais do que gestão: exige visão de contexto, autoconhecimento e capacidade de decidir em cenários complexos. O SEER da Saint Paul foi criado para CEOs, conselheiros e acionistas que precisam ampliar repertório, interpretar mudanças e sustentar decisões estratégicas com mais profundidade. Conheça o programa que prepara líderes para enxergar além da execução

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