Maravalley: hub no Rio supera R$ 1 bilhão em faturamento com startups
A região portuária do Rio de Janeiro passou anos em transformação urbana. Agora, começa a ganhar uma camada mais visível de negócios de tecnologia.
No centro desse movimento está o Porto Maravalley, hub de inovação inaugurado em abril de 2024 que reúne startups, universidades e grandes empresas em um espaço de cerca de 10 mil metros quadrados.
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Os resultados de 2025, primeiro ano completo de operação, mostram como esse espaço começou a ser ocupado — e o que está sendo construído a partir dele.
“Quando a gente olha para 2025, a gente saiu do projeto para ser uma realidade. O Maravalley deixa de ser uma ideia e passa a operar como uma infraestrutura concreta, um ambiente onde empresas crescem, conexões acontecem e o ecossistema começa a gerar impacto mensurável”, diz Daniel Barros, CEO do Maravalley.
O plano agora é expandir o hub com novas estruturas físicas, investimento em dados e inteligência artificial e programas voltados à formação de empreendedores.
Um hub que reúne empresas, pessoas e eventos
Em um ano, o Maravalley chegou a mais de 100 empresas residentes. Outras 300 estão conectadas ao ecossistema, que soma cerca de 600 membros ativos.
Essas empresas ultrapassaram R$ 1 bilhão em faturamento e captaram mais de R$ 250 milhões no período.
O espaço também passou a concentrar encontros. Foram mais de 150 eventos ao longo de 2025, com cerca de 18 mil pessoas circulando entre empreendedores, investidores e pesquisadores.
A proposta é funcionar como ponto de encontro frequente, com agendas que vão de hackathons a reuniões de negócios, passando por encontros informais e atividades culturais.
Conexão entre startups, universidades e grandes empresas
Parte da dinâmica do hub vem das parcerias.
Instituições como COPPE/UFRJ e Fiocruz participam de projetos e eventos técnicos. Empresas como AWS, NVIDIA e Axia entram com infraestrutura e desafios práticos em áreas como energia, saúde e inteligência artificial.
Essas conexões aparecem em iniciativas como hackathons, que reuniram quase 700 participantes para desenvolver soluções em temas específicos.
O objetivo é aproximar pesquisa, tecnologia e aplicação prática dentro do mesmo espaço.
Programas para acelerar e formar empresas
Além da estrutura física, o Maravalley criou programas para apoiar empresas.
A primeira turma de aceleração reuniu 10 startups em um ciclo de seis meses, com mentorias em planejamento, jurídico, comunicação e captação de recursos.
Há também programas contínuos, como a Residência Maravalley, voltada a empresas em fase inicial e de crescimento.
Na base, o foco é formação. O programa Future Founders tem como meta estimular a criação de mil startups no Rio. Em paralelo, o hub lançou uma plataforma educacional em parceria com a PUC-RJ.
Dados entram como nova camada do ecossistema
Um dos movimentos mais recentes é a criação de uma plataforma de dados sobre o ecossistema local.
A base já reúne mais de 1.000 startups mapeadas. A proposta é entender padrões de crescimento, identificar gargalos e apoiar decisões de empresas e do poder público.
Com isso, o hub passa a atuar não só como espaço físico, mas também como fonte de informação sobre o mercado de tecnologia na cidade.
Inteligência artificial como infraestrutura
Outro eixo de expansão é a construção de uma estrutura voltada à inteligência artificial.
O projeto inclui um datacenter, o chamado “AI Café” e uma exposição interativa permanente, que deve funcionar como espaço de demonstração de tecnologias.
“A gente está construindo não só um lugar, mas uma base de infraestrutura para o futuro da inovação no Rio. Isso passa por dados, tecnologia e capacidade de execução”, diz Barros.
A ideia é reduzir barreiras técnicas para startups e pesquisadores que precisam de capacidade computacional para desenvolver produtos.
Julio Azevedo (relações institucionais do Maravalley), Daniel Barros (CEO do Maravalley) e Osmar Lima (secretário de desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro): empregos na região portuária (Divulgação/Divulgação)
Falta espaço para quem cresce — e o hub quer resolver
Com o crescimento das empresas, surgiu uma demanda prática: espaço para testar e produzir.
O Maravalley identificou uma necessidade de mais de 10 mil metros quadrados para esse tipo de operação.
A resposta é o Maravalley.Lab, um projeto de expansão que prevê um condomínio industrial flex para empresas que precisam montar, testar, produzir e distribuir.
O espaço deve atender desde startups que buscam o primeiro laboratório até empresas em fase mais avançada.
Cultura, convivência e rotina do hub
Além das áreas de trabalho, o espaço também inclui áreas de convivência e programação cultural.
Foram criados novos ambientes, como uma portaria renovada e um espaço de pausa para os usuários. No térreo, a Galeria Berro recebe exposições de arte contemporânea.
A ideia é manter fluxo constante de pessoas e atividades, combinando trabalho, encontros e eventos no mesmo lugar.
Porto Maravilha como base dessa estratégia
O desenvolvimento do Maravalley está ligado à ocupação da região portuária.
Para a prefeitura, o hub funciona como um dos eixos dessa estratégia. “A cidade escolheu colocar inovação, tecnologia e informação de alta qualidade como âncora dessa área revitalizada”, afirma Osmar Lima, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico.
A proposta é concentrar, em um mesmo território, empresas, formação, infraestrutura tecnológica e políticas públicas voltadas à inovação.
Com a expansão prevista, o espaço passa a reunir desde a criação de startups até etapas de produção e desenvolvimento tecnológico, conectando diferentes fases do crescimento das empresas.
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