Marfrig sobe 3% com criação da Sadia Halal e descola do Ibovespa
As ações da Marfrig (MBRF3) operam entre as maiores altas do Ibovespa nesta segunda-feira, 4, em um dia de aversão a risco no mercado doméstico. Por volta das 13h15, os papéis avançavam 2,24%, a R$ 17,82 — próximos da máxima intradia de R$ 18,13, quando chegaram a subir mais de 3%. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,67%, aos 186.075 pontos.
O desempenho na contramão do índice ocorre após o anúncio da criação da Sadia Halal, joint venture formada entre a subsidiária integral BRF GmbH e a Halal Products Development Company (HPDC), braço do fundo soberano da Arábia Saudita, o Public Investment Fund (PIF).
O fechamento do contrato de investimento foi comunicado ao mercado em fato relevante conjunto divulgado neste domingo, 3. Pelo acordo, a nova companhia, a Sadia Halal Holding Company, nasce com 90% de participação da BRF GmbH e 10% da HPDC.
A estrutura reúne ativos industriais e de distribuição já operacionais no Golfo, incluindo fábricas na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, além de centros de distribuição também em Catar, Kuwait e Omã.
A operação incorpora ainda o negócio de exportações diretas para a região MENA, enquanto os ativos na Turquia ficaram fora da transação.
O desenho da joint venture também estabelece uma integração operacional relevante com o Brasil. Foi firmado um contrato de fornecimento de dez anos, renovável, pelo qual a BRF abastecerá a Sadia Halal a partir de suas unidades produtivas no país, com preços definidos em bases de mercado e sujeitos às regras de transferência.
Além disso, a nova empresa poderá utilizar marcas das companhias, com destaque para a Sadia, já consolidada no Oriente Médio, por meio de um acordo de licenciamento.
Do ponto de vista financeiro, o acordo prevê aportes da HPDC em duas etapas. Um investimento inicial de US$ 24,3 milhões (SAR 91,4 milhões) no fechamento da operação e uma contribuição adicional de US$ 73,1 milhões (SAR 274,2 milhões) até 31 de dezembro de 2026, por meio de uma transação primária.
Segundo as companhias, o empreendimento tem valor empresarial estimado em US$ 2,07 bilhões e se posiciona como uma das maiores plataformas globais de produção e distribuição de proteínas halal, com acesso a uma base de mais de 350 milhões de consumidores em 14 países islâmicos.
IPO da Sadia Halal à frente
Outro vetor importante para o mercado é a perspectiva de abertura de capital. Com a conclusão da primeira etapa da operação, as empresas anunciaram o início imediato dos preparativos para o IPO da Sadia Halal, com listagem prevista na bolsa de Riade, na Arábia Saudita, ainda condicionada às condições de mercado e às aprovações regulatórias.
Na avaliação do Safra, a formalização do acordo não chega a surpreender, já que era amplamente esperada, o que limita um impacto mais expressivo no curto prazo sobre as ações. Ainda assim, o banco classifica o movimento como estrategicamente positivo para a Marfrig, por consolidar a atuação em um mercado considerado-chave e estruturar uma plataforma integrada na região MENA.
Os analistas também destacam que a joint venture reforça a parceria com um investidor relevante, ligado ao fundo soberano saudita, e cria uma base operacional robusta, combinando produção local no Oriente Médio com exportações do Brasil. O Safra mantém recomendação “outperform” para MBRF3 e avalia que o IPO da Sadia Halal, embora sem data oficial, deve ocorrer em 2027.
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