Maria Corina Machado quer voltar à Venezuela até o fim do ano

Por Matheus Gonçalves 21 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Maria Corina Machado quer voltar à Venezuela até o fim do ano

Líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, espera retornar ao seu país até o fim de 2026, e pede ajuda aos EUA para que acelerem planos para novas eleições. Desde a queda de Nicolás Maduro, deposto por uma intervenção americana, o país está sob o governo interino de Delcy Rodríguez, vice-presidente de Maduro.

A remoção do ex-presidente do poder despertou esperanças de que Machado seria a nova líder, posição pela qual batalhou clandestinamente por anos.

Todavia, o presidente americano, Donald Trump, favoreceu Rodríguez, endossando a vice-presidente de Maduro sem eleições gerais. Trump justificou seu posicionamento alegando que a líder da oposição não teria experiência e suporte político para um bom mandato.

Machado deixou a Venezuela no fim do ano passado para ir à Noruega receber o Nobel da Paz. Nisso, desafiou um banimento à sua movimentação imposto por Maduro, ainda no poder à época, que já vinha em vigor há uma década.

Por mais de um ano, Machado teve que viver, conduzir suas campanhas e organizar manifestações clandestinamente, o que fez com que seu paradeiro exato permanecesse em segredo durante toda a sua viagem à Europa.

Desde que assumiu o poder, Delcy Rodríguez conseguiu amizade com Trump, que parabeniza seu mandato.

Machado entende os elogios como um sinal de que o republicano está contente com o estado do governo interino, mas continua apostando em outra configuração a longo prazo.

"O que eu ouvi foi o presidente Trump elogiando a forma como ela segue as instruções dele", disse ela em uma entrevista exclusiva à Reuters. "Eles [o governo Rodriguez] nunca estiveram tão fracos como agora… Eles estão começando a perceber que as coisas mudaram e este é um momento totalmente diferente."

Agora, mirando ganhos políticos em seu retorno, se mostra confiante quanto à possibilidade de novas eleições:

"Acreditamos que, para lidar com a ansiedade, as expectativas e a urgência do povo venezuelano de forma ordenada e cívica, é muito importante começar a tomar medidas em direção ao que todo o país precisa e exige: eleições livres e justas", disse ao veículo.

Machado argumenta que, com a deposição de Maduro, a população venezuelana espera mudanças drásticas na administração e na economia do país.

A venezuelana de 58 anos defende que essas expectativas devem ser satisfeitas rapidamente para evitar o risco de um estado anárquico, motivado pela frustração decorrente de expectativas não atendidas.

Em vez disso, espera canalizar essas energias pacificamente, por meio de novas eleições, com um novo conselho eleitoral e uma legislatura reformada, para que rivais políticos de Maduro, impedidos de concorrer, tenham esse direito novamente.

Machado acredita que essas mudanças podem ser conduzidas "em oito ou nove meses".

"Não estaríamos onde estamos agora, avançando, se não fosse pela administração dos EUA e pela decisão do presidente Trump de levar Nicolás Maduro à justiça", disse sobre Trump, a quem dedicou (e eventualmente presenteou) seu Prêmio Nobel.

"Mas certamente entendo a urgência e as demandas do meu povo, e acho que devemos prosseguir com o processo democrático e eleitoral."

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