Marvell: o que faz empresa que CEO da Nvidia chamou de próxima trilionária
O nome Marvell não aparece em propagandas de notebook, não estampa placas de vídeo e não tem CEO famoso o suficiente para virar meme.
Mas quando Jensen Huang subiu ao palco da Computex nesta terça-feira, 2, e chamou a empresa de "próxima trilionária", o mercado parou para prestar atenção. A pergunta que ficou no ar foi: o que é a Marvell?
A resposta é mais relevante do que o nome sugere. Fundada em 1995 e sediada em Santa Clara, na Califórnia, a Marvell Technology projeta os chips que fazem milhares de GPUs conversarem entre si dentro de um data center.
Sem esses chips, os modelos de IA mais avançados do mundo simplesmente não funcionam.
Com cerca de 7.500 funcionários, mais de 10 mil patentes e receita anual de US$ 8,2 bilhões no ano fiscal de 2026, segundo o Google Finance, a empresa opera longe do grande público mas perto de qualquer infraestrutura digital relevante do planeta.
O que a Marvell faz
Pense num data center como uma cidade.
As GPUs são os prédios onde o trabalho pesado acontece. Mas uma cidade não funciona sem ruas, cabos, encanamento.
A Marvell faz as ruas. Projeta os chips que conectam um servidor ao outro, que permitem que dados viajem entre milhares de processadores em altíssima velocidade, que fazem a informação chegar onde precisa chegar sem congestionamento.
Tecnicamente, a empresa fabrica dois tipos principais de produto.
O primeiro são chips de conectividade óptica, processadores de sinal digital e drivers de laser que permitem que dados se movam entre servidores como pulsos de luz, em vez de sinais elétricos por cabos de cobre.
Em 2026, a Marvell começou a fornecer chips para conexões de 1,6 terabit por segundo, segundo a Financial Content.
O segundo são ASICs customizados, chips projetados sob medida para hiperescaladores como Google, Amazon e Microsoft que querem construir seus próprios aceleradores de IA sem depender exclusivamente de GPUs da Nvidia.
A Marvell não fabrica nenhum desses chips. É uma empresa fabless, que projeta tudo e terceiriza a produção para a TSMC. O segmento de data centers já responde por mais de 70% da receita total da empresa, segundo a Financial Content.
A virada que ninguém viu
A Marvell nem sempre foi o que é hoje. Por muito tempo, foi uma empresa de médio porte no mercado de armazenamento e Wi-Fi para consumidores.
A virada começou com a aquisição da Inphi em 2021, que deu à Marvell a tecnologia de conectividade óptica que hoje responde pela maior parte do crescimento da empresa.
A estratégia foi simples na concepção e difícil na execução: fechar compromissos de design com os maiores hiperescaladores do mundo anos antes da entrega, garantindo visibilidade de receita num setor historicamente imprevisível.
Hoje, a empresa projeta que seu negócio de chips customizados vai superar US$ 10 bilhões em receita no ano fiscal de 2029, segundo guidance divulgado à SEC na semana passada.
Em março de 2026, a Nvidia investiu US$ 2 bilhões na Marvell como parte de um acordo estratégico para integrar os chips customizados da empresa com os equipamentos de rede e processadores da Nvidia.
O investimento consolidou a posição da Marvell como parceira (e não concorrente) da empresa mais valiosa do mundo. Quanto mais GPUs a Nvidia vende, mais chips de conectividade da Marvell são necessários para fazer tudo funcionar junto.
Por que ela pode valer um trilhão
A tese do trilhão de Huang não é delírio, mas uma projeção sobre onde o dinheiro vai na infraestrutura de IA nos próximos anos.
O Goldman Sachs identificou redes ópticas como a próxima grande tendência da infraestrutura de IA num relatório publicado em abril, projetando que o mercado endereçável pode crescer nove vezes, de US$ 15 bilhões em 2026 para US$ 154 bilhões em 2028.
A Marvell está no centro desse mercado, fornecendo os chips que tornam essas redes possíveis.
A capitalização atual de US$ 192 bilhões ainda está longe do trilhão.
Mas no acumulado de 2026, as ações já subiam mais de 158% antes do anúncio desta terça-feira. O mercado está apostando que a empresa que faz as ruas dos data centers de IA vai se tornar tão indispensável quanto as GPUs que circulam por elas.
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