MCMV responde por quase metade das vendas de imóveis no país no 1° tri
O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) respondeu por praticamente metade das vendas de imóveis residenciais no Brasil no 1° trimestre deste ano e segue como o principal motor do mercado imobiliário nacional. De acordo com estudo divulgado nesta segunda-feira, 25, pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a iniciativa concentrou 49% das vendas de janeiro a março, com 54.510 unidades comercializadas em 221 cidades monitoradas pela entidade, incluindo todas as capitais e regiões metropolitanas.
O levantamento de Indicadores Imobiliários Nacionais aponta que, apesar do cenário de juros elevados, o mercado imobiliário manteve ritmo considerado resiliente pelo setor. Nos três primeiros meses do ano, foram vendidas 110.722 unidades residenciais no país, alta de 4,1% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, as vendas chegaram a 438.012 unidades.
Para o vice-presidente Financeiro da CBIC, Eduardo Aroeira, os números reforçam o papel do programa habitacional na sustentação do setor e no combate ao déficit habitacional.
"O Minha Casa, Minha Vida vem cumprindo o seu papel de tornar realidade o sonho da casa própria para milhões de brasileiros. Ao longo do tempo, vem se mostrando como grande impulsionador da indústria da construção, representando a metade do mercado imobiliário residencial", afirmou.
Aroeira avalia que o programa ajuda a equilibrar o mercado em um ambiente de juros elevados. "Se não fosse pelo Minha Casa, Minha Vida, hoje provavelmente estaríamos discutindo aqui só [as vendas] em alto padrão com a taxa de juros que temos hoje", disse.
O estoque do MCMV também apresentou desempenho considerado saudável. O tempo estimado para escoamento da oferta é de 7,6 meses, abaixo da média geral do mercado, que está em 10 meses. Regionalmente, o Norte foi o destaque do programa. A região concentrou 52% da oferta total de imóveis ligados ao MCMV e respondeu por 83% dos lançamentos enquadrados no programa.
Durante coletiva à imprensa para divulgação do estudo, o vice-presidente da Indústria Imobiliária da Cbic e presidente executivo do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP), Ely Wertheim, afirmou que o programa deixou de atender apenas as famílias de baixa renda e passou a alcançar também a classe média.
"O programa da Minha Casa, Minha Vida hoje não é somente um programa popular. Ele se transformou num programa também de classe média", afirmou. "Em uma cidade como São Paulo, onde a terra é cara e escassa, 65% do mercado é Minha Casa, Minha Vida".
Lançamentos recuam no 1° trimestre
Apesar do avanço das vendas, os lançamentos recuaram no trimestre. Foram lançadas 97.802 unidades residenciais entre janeiro e março, queda de 4,9% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e retração de 32,1% frente ao quarto trimestre de 2025.
Segundo o conselheiro da Cbic e economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, o movimento já era esperado devido à sazonalidade do setor.
"A queda de lançamentos do primeiro trimestre desse ano em relação ao quarto trimestre do ano passado não nos preocupa porque ela sempre acontece", disse. "Apesar de termos lançado 32% a menos do que no quarto trimestre, vendemos só 2,6% a menos, ou seja, estabilidade nas vendas".
Petrucci destacou ainda que o primeiro trimestre costuma ser o mais fraco do ano, impactado por férias, carnaval e pela forte concentração de lançamentos no 4° trimestre.
Mesmo com menos projetos colocados no mercado, o setor manteve volume elevado de vendas e estabilidade no Valor Geral de Vendas (VGV). O mercado movimentou R$ 65,9 bilhões no trimestre, alta de 0,5% em relação ao mesmo período de 2025.
"O mercado continua aderente aos lançamentos. À parte de tudo que vem acontecendo, o nosso mercado continua aderente", afirmou Petrucci. "Nós vendemos a mesma coisa, em torno de R$ 65 bilhões, e o mercado vem se estabilizando nesse patamar há muitos trimestres".
Centro-Oeste lidera em lançamentos
O desempenho regional também mostrou diferenças importantes. O Centro-Oeste, por exemplo, liderou o crescimento dos lançamentos, com expansão de 38,3% no trimestre. Já o Sudeste respondeu por mais da metade das vendas acumuladas em 12 meses, com 223.670 unidades comercializadas.
Norte e Nordeste apresentaram crescimento anual nas vendas de 11,1% e 3%, respectivamente. O Sul foi a única região a registrar queda, ainda que marginal, de 0,05%. Para os representantes do setor, mesmo com a Selic elevada, o mercado imobiliário tem mostrado resistência.
De janeiro do ano passado a janeiro de 2026, a taxa básica de juros passou de 12,25% para 15% ao ano. Em março, contudo, ela encerrou 14,75%, com o primeiro corte em mais de dois anos.
"As vendas estão resistindo à Selic", afirmou Petrucci. "Nós já estamos com essa Selic entre 14,5% e 15% há praticamente um ano, e as vendas vêm sendo resilientes mesmo com essa taxa de juros".
Para Wertheim, o atual momento pode favorecer consumidores de média e alta renda interessados em adquirir imóveis. "Do ponto de vista financeiro e do financiamento, é um momento espetacular para quem deseja comprar", afirmou. "Para quem deseja comprar na classe média e média alta, essa é a hora".
A pesquisa também apontou demanda potencial relevante para os próximos anos. Segundo o levantamento, 49% dos entrevistados declararam intenção de comprar imóvel nos próximos dois anos. As "casas de rua" aparecem como preferência de 47% dos consumidores, enquanto apartamentos representam 35%.
O principal motivo citado para a compra foi deixar de pagar aluguel, apontado por 38% dos entrevistados. Em seguida aparecem sair da casa dos pais (12%) e mudança de localidade (8%).
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