Menos intermediários, mais eficiência operacional: onde o blockchain reduz custos

Por Da Redação 23 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Menos intermediários, mais eficiência operacional: onde o blockchain reduz custos

Por Carlos Sangiorgio*

O sistema financeiro sempre construiu frameworks sólidos para resolver um problema legítimo, a confiança. Frameworks organizados em camadas de validação, de reconciliação, de intermediação, etc.

Mas essa mesma estrutura acabou se tornando uma das maiores fontes de custo e complexidade operacional do setor. Hoje, esse modelo está sob pressão. Margem comprimida, competição mais intensa e maior exigência de velocidade estão forçando instituições a responderem uma pergunta simples: por que, de fato, precisamos de tantos intermediários?

É aqui que o blockchain deixa de ser narrativa e passa a ser infraestrutura.

O custo invisível da reconciliação

O sistema financeiro opera com um princípio básico: nenhuma instituição depende exclusivamente de um único registro de outra instituição. Isso levou à construção de múltiplas bases de dados para os mesmos eventos.

Um desenho seguro, mas caro. Segundo a McKinsey & Company, atividades de backoffice, incluindo reconciliação, compliance e processamento pós-transação, podem representar entre 20% e 30% dos custos operacionais de grandes instituições financeiras globais. Esse custo não aparece diretamente para o cliente, mas onera a operação como um todo.

Cada transação relevante é registrada, validada e, muitas vezes, revalidada por diferentes participantes. Quando há divergência, entram em cena processos manuais, ajustes e exceções que escalam rapidamente. Não é a transação em si que encarece o sistema, é o caminho que ela percorre.

Onde o blockchain realmente reduz custo

Ao substituir bases isoladas por um registro replicado, em que a conciliação não é uma etapa posterior, mas uma propriedade da própria arquitetura, o blockchain reduz a necessidade de múltiplas versões da mesma informação.

Em vez de cada instituição manter sua própria base e depois reconciliar diferenças, passa a existir uma camada comum de registro, atualizada de forma consistente. O potencial de eficiência já começa a ser mensurado.

De acordo com a Deloitte, o uso de tecnologias de registro distribuído (DLT) pode reduzir custos operacionais em processos de reconciliação e liquidação em até 30% a 50%, especialmente em operações interbancárias e mercados mais fragmentados.

Análises da McKinseyCo. indicam que cerca de 70% do valor gerado pelo blockchain no curto prazo está justamente na redução de custos, não na criação de novas receitas. Há também impacto direto no tempo de processamento.

A PwC aponta que soluções baseadas em blockchain podem encurtar ciclos de liquidação que hoje levam dias para poucas horas, dependendo da arquitetura adotada. O ganho mais relevante, porém, está em eliminar etapas que existem exclusivamente para alinhar dados entre sistemas distintos. Menos reconciliação significa menos intervenção manual, menos erros/exceções e maior previsibilidade operacional.

Evolução silenciosa da infraestrutura financeira

Apesar do potencial, o impacto do blockchain não deve ser lido como substituição da infraestrutura existente. O sistema financeiro não é um ambiente de reinvenção, mas sim de evolução contínua sobre bases altamente consolidadas. A presença de sistemas legados, a necessidade de interoperabilidade e o peso da regulação fazem com que qualquer mudança estrutural aconteça de forma gradual.

Novas tecnologias não entram como ruptura, mas como camadas adicionais que convivem com o que já existe. O blockchain, portanto, tende a operar menos como disrupção e mais como ajuste estrutural. Ele não elimina a necessidade de confiança, validação e controle, mas muda o custo de manter esses elementos em escala.

No fim, o impacto mais relevante não está na tecnologia em si, mas na sua capacidade de remover etapas que deixaram de ser essenciais. E, em um setor onde eficiência virou requisito básico de competitividade, reduzir fricção já não é apenas uma melhoria operacional, é uma decisão estratégica.

*Carlos Sangiorgio é VP de Tecnologia e Operações da Evertec Brasil.

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