Mercado viu que eleição não é tão central para investimentos, diz CEO do Santander

Por Mitchel Diniz 5 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Mercado viu que eleição não é tão central para investimentos, diz CEO do Santander

Mario Leão sabe que o fluxo de capital estrangeiro na bolsa é volátil. A entrada de R$ 26 bilhões no mercado acionário brasileiro bateu a registrada no ano de 2025 inteiro, mas isso é algo que pode mudar a qualquer momento. De qualquer forma, não deixa de ser um bom sinal, segundo o CEO do Santander Brasil.

"É pouco ainda, pode ter mais fluxo, mas é um bom sinal", disse, em coletiva de imprensa sobre os resultados do banco no quarto trimestre do ano passado. "O Brasil tem fundamentos bons, é um país democrático, e com crescimento, apesar do nível de juros".

Leão está ciente de que a movimentação desse começo de ano é fruto de uma "grande realocação global". Um parte dos investimentos que estava concentrados nos Estados Unidos agora está sendo direcionada para outras geografias, e países emergentes como o Brasil são destaque.

Para o CEO do Santander Brasil, o fluxo também reflete uma "maturidade institucional de que a eleição não é tão central para o debate do investimento".

"O mercado está dizendo que o Brasil, em qualquer cenário, é maior que o governante que estiver [no poder]", afirma.

O executivo também acredita que há chances de estreia de novas empresas na B3 ainda este ano. Para ele, o IPO do PicPay foi um pontapé inicial para retomada de ofertas, ainda que a listagem tenha ocorrido em Nova York.

"A gente acha sim que o mercado de equity vai ser bem melhor. E acreditamos que vamos ter mais IPOs até o final do ano", afirmou.

Questionado se alguns setores da economia estão mais propícios a abrir capital na bolsa, Leão afirmou que as ofertas estão condicionadas a "histórias boas", independentemente da área de atuação da empresa.

"Histórias resilientes, de empresas que entregam resultados recorrentes vão ter espaço", afirmou.

Santander Brasil no 4º trimestre

O Santander Brasil encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido recorrente de R$ 4,08 bilhões, alta de 6% na comparação anual e de 1,9% frente ao trimestre anterior, em linha com a média das projeções do mercado. O resultado desconsidera efeitos pontuais e marca o melhor desempenho trimestral do banco em quatro anos, de acordo com a instituição.

A rentabilidade, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), ficou em 17,6% no período. O indicador permaneceu praticamente estável em relação a um ano antes e avançou levemente na comparação trimestral, mantendo-se acima da taxa básica de juros.

A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 708,2 bilhões ao fim de dezembro, com crescimento de 3,7% em 12 meses e de 2,8% em relação ao terceiro trimestre. A expansão foi puxada principalmente pelo financiamento ao consumo e pelo crédito a pequenas e médias empresas.

A margem financeira somou R$ 15,3 bilhões no trimestre. O número representa leve alta de 0,8% em relação ao período imediatamente anterior, mas queda de 4% na comparação anual, pressionado pelo desempenho mais fraco das operações de tesouraria.

Os números divulgados pela unidade brasileira diferem do resultado apresentado pela matriz espanhola. No balanço global, o Santander reportou lucro de 579 milhões de euros atribuído à operação no Brasil no quarto trimestre — cerca de R$ 3,58 bilhões — o que representa queda anual de 3,7%, desconsiderando efeitos cambiais.

A diferença decorre de critérios contábeis e de consolidação adotados pela controladora.

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