Messi, Copa e bilhões: como os EUA tentam se tornar o novo 'país do futebol'

Por Vanessa Loiola 19 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Messi, Copa e bilhões: como os EUA tentam se tornar o novo 'país do futebol'

O futebol nunca ocupou o centro da cultura esportiva dos Estados Unidos, mas isso pode estar mudando. Nas últimas décadas, o país ampliou investimentos em ligas, clubes, transmissões e infraestrutura esportiva enquanto tenta transformar o soccer em um mercado bilionário antes da Copa do Mundo de 2026.

A chegada de Lionel Messi ao Inter Miami, o crescimento da Major League Soccer (MLS) e a realização de grandes torneios internacionais reforçaram o interesse dos norte-americanos pelo esporte. Ao mesmo tempo, empresas, patrocinadores e dirigentes enxergam no futebol uma oportunidade estratégica de expansão econômica e influência global.

Segundo pesquisas recentes divulgadas pela revista The Economist, o soccer já aparece entre os esportes favoritos dos americanos, superando modalidades tradicionais como o hóquei e o beisebol em parte da população.

O país que resistiu ao futebol

Apesar de ser uma potência esportiva, os Estados Unidos nunca desenvolveram uma relação histórica forte com o futebol masculino. Desde o século XIX, esportes como o soccer, basquete e beisebol passaram a ocupar papel central na identidade cultural do país.

Durante décadas, o futebol foi visto como uma modalidade estrangeira associada à Europa, sobretudo à Inglaterra. Até mesmo o termo “football” acabou sendo dominado pelo futebol americano, enquanto o esporte mais popular do mundo passou a ser chamado de soccer pelos norte-americanos.

Tentativas anteriores de popularizar o futebol já haviam acontecido. Nos anos 1970, a antiga North American Soccer League (NASL) tentou impulsionar a modalidade ao contratar Pelé para atuar pelo New York Cosmos. Apesar da repercussão internacional, o projeto enfrentou dificuldades financeiras e a liga acabou encerrada em 1984.

Messi virou símbolo da nova fase do soccer

A transformação mais recente do futebol nos EUA ganhou força com a contratação de Lionel Messi pelo Inter Miami em 2023. A chegada do craque argentino ajudou a aumentar a audiência da MLS, impulsionar assinaturas do MLS Season Pass — serviço de streaming da Apple — e atrair novos patrocinadores e investidores para a liga norte-americana.

O acordo entre Apple e MLS, avaliado em US$ 2,5 bilhões por dez anos, simboliza a dimensão econômica do projeto. A empresa apostou na expansão internacional da liga e participou diretamente das negociações envolvendo Messi.

Além do impacto esportivo, o chamado “efeito Messi” também aumentou a visibilidade global do futebol norte-americano e fortaleceu a estratégia dos EUA de consolidar o soccer como produto internacional.

Futebol feminino abriu caminho nos Estados Unidos

O sucesso do futebol feminino também ajudou a impulsionar a popularidade do esporte no país. A seleção feminina dos EUA se tornou uma das maiores potências da modalidade, acumulando títulos mundiais e medalhas olímpicas ao longo das últimas décadas.

Especialistas apontam que parte desse domínio começou após a aprovação da Title IX, lei federal de 1972 que proibiu discriminação por sexo em instituições de ensino financiadas pelo governo. A medida obrigou escolas e universidades a ampliarem investimentos em esportes femininos, criando estrutura para formação de atletas e programas universitários de futebol, conforme reportagem da Slate Magazine.

Hoje, o futebol feminino norte-americano continua sendo uma referência internacional e atrai atletas de diferentes países.

Soccer virou negócio bilionário

Além do crescimento esportivo, o futebol passou a ocupar espaço importante no mercado de entretenimento e mídia dos Estados Unidos. Clubes da MLS atingiram valorizações bilionárias nos últimos anos, enquanto investidores americanos ampliaram presença em equipes das principais ligas europeias, segundo relatório Off the Pitch.

Segundo especialistas, o futebol representa um dos poucos mercados esportivos globais ainda com potencial relevante de expansão dentro dos Estados Unidos. Mesmo sem ultrapassar a popularidade da NFL ou da NBA, o soccer já movimenta bilhões em direitos de transmissão, publicidade, venda de ingressos e acordos comerciais.

A Copa de 2026 será decisiva

Os Estados Unidos serão o principal palco da Copa do Mundo de 2026, torneio que também será disputado em Canadá e México. A competição terá formato ampliado com 48 seleções e mais de 100 partidas, tornando-se a maior edição da história do Mundial.

Para dirigentes esportivos e empresas, o evento representa uma oportunidade estratégica para consolidar definitivamente o futebol no mercado norte-americano. Ao mesmo tempo, a Copa também envolve interesses geopolíticos, disputas comerciais e debates sobre imigração, segurança e direitos humanos.

O futebol está ficando 'americano'?

O avanço do soccer nos EUA também levanta discussões sobre a chamada “americanização” do futebol. Mudanças como ingressos com preços dinâmicos, maior presença de publicidade durante partidas e até apresentações musicais em eventos esportivos geraram críticas entre torcedores tradicionais.

Especialistas afirmam que o modelo norte-americano prioriza fortemente o entretenimento e a monetização do esporte, o que pode alterar características históricas do futebol mundial.

Mesmo assim, os investimentos seguem crescendo. Com dinheiro, infraestrutura e influência global, os Estados Unidos tentam transformar o soccer em mais um símbolo de poder econômico e cultural.

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