Meta amplia agente de IA no WhatsApp, inclui Instagram e prepara cobrança para PMEs
LONDRES* — A Meta anunciou nesta quarta-feira, 3, a expansão global do Meta Business Agent, ferramenta de inteligência artificial voltada para empresas que operam no WhatsApp, Messenger e Instagram. O produto estava sendo testado em mercados como Brasil e Índia desde fevereiro deste ano. A partir de hoje, qualquer negócio do mundo pode ativar o agente sem necessidade de desenvolvedor. A entrada é gratuita. A cobrança começa a ser testada em meados de junho e marca a primeira vez que a Meta monetiza o WhatsApp Business app para pequenas empresas, gratuito desde seu lançamento em 2018.
O anúncio foi feito no Conversations 2026, realizado no Central Hall Westminster, quinta edição do evento anual de business messaging da Meta. Cerca de 1.500 pessoas estiveram presentes. Mais de 1 milhão de empresas já utilizam o agente semanalmente.
O que distingue o produto de hoje do Business AI lançado em fevereiro não é a funcionalidade de atendimento ao cliente, que permanece essencialmente a mesma. A diferença está no número maior de conectores disponíveis para integração com sistemas externos e numa interface de gestão voltada para o próprio negócio. "A diferença é a interface para o negócio ver as conversas que o agente está tendo e para o agente reportar o que está acontecendo", afirmou Fred Leach, VP de Produto da Meta.
Como funciona
O produto opera em duas camadas. Para pequenas e médias empresas, a configuração acontece dentro do próprio app: a empresa alimenta o agente com informações sobre o negócio — produtos, preços, políticas, horários — e ele começa a operar em minutos, respondendo clientes em qualquer idioma, no tom da marca, 24 horas por dia. Arquivos em PDF também podem ser carregados diretamente, o que facilita a digitalização de informações para negócios que ainda operam de forma analógica.
Meta Business Agent (Meta/Reprodução)
Para empresas maiores, a Meta lança o Meta Business Agent Platform, uma infraestrutura que conecta o agente a sistemas como Shopify, Zendesk e Shopee, permitindo que ele não apenas responda, mas execute ações dentro dessas ferramentas. "Você pode ter o melhor modelo de IA do mundo, mas se ele não tiver acesso às informações necessárias para responder uma pergunta, ele vai falhar", disse Leach. É nessa camada que transações completas se tornam possíveis. Leach descreveu o caso da Movida, locadora de carros brasileira integrada ao sistema: o cliente consulta disponibilidade, escolhe o veículo, contrata seguro e conclui o pagamento sem sair do WhatsApp.
Além de atender clientes, o agente funciona como uma camada de análise sobre a operação. Entrega ao gestor um resumo das conversas do dia, aponta tendências, identifica reclamações recorrentes e sinaliza quais atendimentos exigem intervenção humana. O gestor pode ainda consultar o agente diretamente sobre o desempenho do negócio. "Metade do valor de um vendedor está em falar com os clientes. A outra metade está em trazer de volta para a empresa o que aprendeu com eles", disse Leach. O sistema aprende com correções em tempo real: se o negócio reprovar uma resposta, o agente ajusta imediatamente.
O agente não usa um modelo de linguagem único. A Meta flexibiliza entre modelos conforme a complexidade da pergunta, usando soluções menores para respostas simples e modelos mais sofisticados para conversas que caminham para uma transação. O estilo também é adaptado. Respostas longas não funcionam no WhatsApp. O usuário é informado desde o início da conversa que está interagindo com uma IA.
Meta Business Agent (Meta/Reprodução)
A Meta anunciou ainda mudanças na forma como empresas são encontradas dentro do WhatsApp. Com previsão para o final de junho, negócios que usarem o Business Agent passarão a aparecer na barra de busca do app. Será possível também compartilhar o contato de uma empresa em conversas com amigos e família, com um botão que permite iniciar o chat diretamente.
O papel do Brasil
O Brasil ocupa uma posição muito importante nesse lançamento. O país tem 139 milhões de usuários de WhatsApp, é o segundo maior mercado do mundo na plataforma e lidera em receita gerada por empresa no WhatsApp Business, à frente de Índia e Indonésia. Questionado sobre o papel do país como laboratório da Meta, Leach rejeitou o termo. "Eu não diria que é um laboratório. É um lugar onde co-construímos e aprendemos com as empresas sobre o que precisamos construir. É a fundação que levamos para o resto do mundo", disse. Para o executivo, o diferencial brasileiro está na naturalidade com que consumidores realizam transações dentro do app, algo que ainda não se repete da mesma forma em mercados como os Estados Unidos.
O lançamento acontece em meio a uma disputa regulatória. Em outubro de 2025, a Meta restringiu chatbots de terceiros de operar dentro do WhatsApp. O CADE suspendeu a medida em março, citando abuso de posição dominante, e a Meta passou a cobrar US$ 0,0625 por mensagem processada por chatbots de outras empresas no Brasil desde 11 de março. A Comissão Europeia formalizou acusações contra a Meta em fevereiro por violação de regras de concorrência no mesmo contexto.
*A jornalista viajou a convite da Meta.
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