Meta inicia desmonte de acordo de US$ 2 bilhões pela Manus

Por Ramana Rech 11 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Meta inicia desmonte de acordo de US$ 2 bilhões pela Manus

A Meta iniciou um processo para se desfazer da Manus, empresa de inteligência artificial comprada no fim de 2025 por US$ 2 bilhões. A companhia também interrompeu o compartilhamento de dados com a startup, segundo a Bloomberg, que citou pessoas familiarizadas com o assunto.

A decisão ocorre em meio à oposição da China à aquisição. Desde o início do mês, a Meta bloqueou o acesso da Manus e de seus funcionários a dados internos da operação americana da companhia. Empregados da big tech também foram orientados a não iniciar novos projetos com ferramentas da Manus e a migrar iniciativas em andamento para sistemas internos da Meta.

A controladora da Manus, a Butterfly Effect, foi criada na China, mas transferiu sua base para Singapura. Lançada em março de 2025, a Manus foi apresentada como um agente de IA capaz de executar tarefas complexas de forma autônoma, interpretando comandos, dividindo atividades, usando diferentes ferramentas e entregando relatórios.

No primeiro dia de funcionamento, a Manus registrou um milhão de usuários e passou a ser vista como uma das promessas do setor de IA. A compra pela Meta foi uma das maiores da história da empresa americana, atrás apenas de WhatsApp e Scale AI, segundo a investidora ZhenFund.

Em abril, a China proibiu a aquisição após reguladores investigarem possíveis violações das regras de investimento de Pequim. A Meta, então, concordou em se desfazer da companhia. Ainda não está claro qual será o formato da separação nem quais serão os próximos passos das empresas envolvidas.

No mês passado, os três fundadores da Manus —Xiao Hong, Ji Yichao e Zhang Tao— começaram a discutir uma captação de recursos para superar os US$ 2 bilhões pagos pela Meta e recomprar a startup, informou a Bloomberg.

Enquanto isso, funcionários da Manus foram deslocados para escritórios da Meta em Singapura. Investidores da empresa, como Tencent, ZhenFund e HSG, já receberam suas parcelas referentes à aquisição.

Regulação chinesa pressiona outras empresas de IA

Também em abril, Pequim estabeleceu que empresas chinesas de tecnologia só podem receber investimentos dos Estados Unidos com autorização explícita de órgãos reguladores do país. A medida aumenta o controle estatal sobre negociações envolvendo capital americano em setores considerados estratégicos.

A disputa ocorre no contexto da competição entre China e Estados Unidos pelo domínio da inteligência artificial. O presidente chinês, Xi Jinping, trata a tecnologia como prioridade nacional e como uma área decisiva para a posição do país na economia global.

Outras companhias do setor também passaram a sentir os efeitos da regulação. A Moonshot AI avalia abrir capital em bolsa com valuation estimado em US$ 18 bilhões. A StepFun, startup de modelos de linguagem, considera uma oferta de US$ 500 milhões. Já a ByteDance ainda precisa chegar a um acordo com empresas americanas para manter o TikTok em operação nos Estados Unidos.

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