'México me interessa, Venezuela é difícil', diz presidente da Petrobras

Por Layane Serrano 14 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'México me interessa, Venezuela é difícil', diz presidente da Petrobras

A Petrobras tem avaliado oportunidades de expansão internacional em meio ao novo cenário global de energia, mas com estratégias bem distintas para cada país.

Em entrevista exclusiva à EXAME, Magda Chambriard, presidente da Petrobras, indicou que o foco da companhia está no México, enquanto a Venezuela aparece como uma possibilidade mais distante, cercada de restrições, como questões geológicas e sanções.

“Golfo do México mexicano me interessa. Venezuela, dificílimo trabalhar lá, mas a reserva está lá e já está descoberta. Logo, me interessa. Agora, se nós vamos para lá ou não, é outra conversa”, diz a presidente que já possui passagem agendada para o México no final do mês.

O olhar da presidente não chega aos Estados Unidos, mesmo a Petrobras já tendo participação no país.

"O golfo mexicano é bom para nós. Por que o americano não é? Porque o americano já tá pra lá de explorado. Se eu vou pra lá, vai ser pra achar coisa pouca. Eu até tenho um pedacinho de um campo lá, mas eu não vou achar nada maior lá", afirma Chambriard.

Para todos esses espaços, a primeira coisa que a companhia irá fazer, segundo a presidente, é estudar e chegar à conclusão se vale a pena economicamente ou não investir nessas regiões.

"Para todos esses espaços, a primeira coisa que a gente tem que fazer é estudar e chegar à conclusão se vale a pena para nós economicamente ou não. A reserva pode estar lá, mas, para mim, ela só vale se ela for economicamente viável e se ela der, para mim, o retorno que a Petrobras pretende. Se ela estiver lá, não for economicamente viável ou tiver um retorno a menor do que a gente pretende, não iremos", diz a presidente que em maio completará dois anos na presidência da estatal.

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África entra no radar como nova fronteira estratégica

A África passou a ocupar um papel central na estratégia de expansão da Petrobras. Para a presidente Magda Chambriard, a margem atlântica africana surge como uma aposta natural — e quase intuitiva, diante da experiência acumulada pela companhia no pré-sal brasileiro.

“O que é fácil para a gente fazer? Águas profundas da margem atlântica africana. Porque é a mesma coisa que a gente tem aqui, é muito parecido”, afirma. “Então, o que a gente está acostumado a fazer aqui é fácil fazer lá. A margem atlântica africana está no nosso interesse.”

Entre os países no radar estão São Tomé e Príncipe, Namíbia, Gana, Costa do Marfim e África do Sul, regiões que vêm ganhando relevância no mapa global de petróleo em águas profundas.

O movimento também responde a um desafio estrutural: o atual estoque de reservas da Petrobras deve começar a entrar em declínio na próxima década. A diversificação geográfica, portanto, é vista como essencial para sustentar o crescimento no longo prazo.

A retomada no continente já começou. Em fevereiro de 2024, a estatal concluiu a aquisição de participações em três blocos exploratórios em São Tomé e Príncipe. Em dois deles, ficou com 45% de participação; no terceiro, com 25%.

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Américas: gás, parcerias e presença consolidada

Além do avanço na África, a Petrobras mantém uma atuação relevante nas Américas — com destaque para gás natural e projetos em parceria.

Na Colômbia, a companhia anunciou, em dezembro de 2024, a descoberta da maior reserva de gás da história do país. O poço Sirius-2, explorado em consórcio com a Ecopetrol, tem capacidade equivalente a quase metade da produção diária de gás da Petrobras no Brasil.

Já na Argentina, a estatal detém 33,6% do ativo de produção Rio Neuquén, por meio da Petrobras Operaciones S.A.

Na Bolívia, a empresa segue como uma importante produtora de gás, com participação de 35% nos campos de San Alberto e San Antonio — ativos estratégicos para o abastecimento regional.

Nos Estados Unidos, a atuação se concentra no Golfo do México, com operações em águas profundas por meio da Petrobras America Inc., em parceria com a Murphy Exploration & Production.

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Brasil segue como eixo central, com novas apostas

Apesar da expansão internacional, o Brasil continua sendo o principal pilar da Petrobras.

O pré-sal, localizado no litoral do Sudeste, segue como o grande motor da produção, responsável por 82% do total. Em 2025, a estatal atingiu recorde histórico, com média de 2,4 milhões de barris por dia. Ainda sobre a região mais promissora da estatal, nesta segunda-feira, 14, a Petrobras divulgou a descoberta de hidrocarbonetos no pré-sal de Campos, no Rio de Janeiro. O poço 1-BRSA-1404DC-RJS é operado pela estatal (70%) em parceria com a bp (30%).

Mas o olhar já está no futuro. A Margem Equatorial, no litoral norte, desponta como a principal nova fronteira exploratória, frequentemente comparada a um “novo pré-sal” em potencial.

“Olhamos para a margem equatorial, particularmente no Amapá, onde a gente acha que pode ter o maior volume.”

No Sul, a Bacia de Pelotas também ganha relevância, impulsionada por descobertas recentes em regiões geologicamente semelhantes, como Uruguai, Namíbia e África do Sul.

O foco da presidente da Petrobras é repetir, em novas fronteiras, o sucesso que transformou o pré-sal no principal ativo da companhia, e garantir o próximo ciclo de crescimento.

“Repor reservas onde quer que elas existam é do nosso interesse,” diz a presidente.

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