Micron e SK Hynix: como nomes 'menores' da IA chegaram ao clube das trilionárias

Por Ana Luiza Serrão 27 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Micron e SK Hynix: como nomes 'menores' da IA chegaram ao clube das trilionárias

A corrida global pela inteligência artificial (IA) está criando uma nova geração de gigantes do mercado financeiro. Depois de anos em que Apple, Microsoft e Nvidia dominaram o grupo das empresas trilionárias, agora fabricantes de chips de memória começam a ocupar espaço entre as companhias mais valiosas do mundo.

A Micron Technology e a SK Hynix foram as mais recentes a emergir como alguns dos principais símbolos da nova fase da indústria de semicondutores, alcançando um valor de mercado acima de US$ 1  trilhão.

As duas empresas voltam-se a memórias avançadas usadas em data centers, supercomputadores e modelos de linguagem de alta capacidade. Sem esse tipo de componente essencial, sistemas de IA não conseguem processar o volume de dados exigido pelo avanço da tecnologia atual.

O que faz a SK Hynix?

Fundada em 1983, a sul-coreana SK Hynix se consolidou como uma das maiores vencedoras da corrida da IA ao assumir posição estratégica dentro da cadeia de fornecimento da Nvidia, hoje a principal empresa do setor. As ações da SK já acumulam valorização próxima de 250% em 2026 na Bolsa de Seul.

A atuação da SK Hynix está concentrada, principalmente, em chips de memória usados em processamento de dados, armazenamento e servidores de alta performance, peças consideradas fundamentais para o funcionamento de data centers e modelos de IA generativa, como o ChatGPT.

Ela ampliou sua liderança em um segmento considerado essencial para o avanço da IA generativa, apostando também em tecnologias de empilhamento de memória de alta densidade, com chips que suportam grandes volumes de dados.

Hoje a companhia se apresenta não apenas como fornecedora de memória. A estratégia para os próximos anos também passa pela expansão de soluções voltadas a data centers e computação avançada, no intuito de ampliar participação no desenvolvimento de sistemas completos para IA ao lado das grandes empresas de tecnologia.

Dados da Counterpoint Research apontam que a SK Hynix deve concentrar 54% do mercado global de HBM4 em 2026, um tipo de memória de alta velocidade usado em sistemas de IA e supercomputadores para acelerar o processamento de grandes volumes de dados.

A Samsung aparece na sequência, com 28% do mercado, enquanto a Micron teria participação estimada em 18%.

O que faz a Micron Technology?

Nos Estados Unidos, a Micron Technology também entrou de vez na disputa pelo mercado de memória. Embora tenha uma fatia menor do segmento HBM4 em relação à rival sul-coreana, a companhia se beneficia diretamente do aumento dos investimentos globais em infraestrutura de IA.

Fundada em Boise, no estado de Idaho, a Micron se transformou em uma das maiores fabricantes de memória do mundo e hoje atua em praticamente toda a cadeia do setor. A empresa produz três das principais tecnologias de armazenamento e memória usadas pela indústria de tecnologia.

Ela registrou receita anual de US$ 37,4 bilhões no ano fiscal de 2025, possuindo cerca de 61 mil patentes concedidas e mantém operações em mais de 30 cidades ao redor do mundo. Sua estrutura inclui 13 fábricas, 13 laboratórios voltados a clientes e mais de 55 mil funcionários.

Os papéis dela dispararam em Wall Street no último pregão, com alta de 19,29%, cotados a US$ 895,88. No pré-mercado desta quarta-feira, 27, os papéis avançavam mais 9,35%, negociados a US$ 979,65, ampliando o rali. Já em 12 meses, a ação acumula valorização de cerca de 830%.

A empresa também ampliou sua presença industrial nos últimos anos, com operações espalhadas pelos EUA, Japão, Índia, Taiwan, China, Malásia e Singapura, em uma estratégia voltada a garantir escala global em um setor cada vez mais pressionado por demanda e competição geopolítica.

O novo centro da corrida tecnológica

A ascensão de Micron e SK Hynix mostra como o mercado da inteligência artificial deixou de beneficiar apenas desenvolvedoras de software ou fabricantes de GPUs, isto é, processadores gráficos de alta potência usados para treinar e operar modelos de IA.

Agora toda a cadeia ligada à capacidade de processamento de dados passou a ser reavaliada pelos investidores.

Isso porque os chips de memória se tornaram um gargalo estratégico para o avanço da IA generativa, fazendo que empresas antes vistas como fornecedoras tradicionais do setor de semicondutores passassem a ocupar posição central na disputa tecnológica global.

Ao mesmo tempo, a concorrência deve se intensificar nos próximos meses. A entrada da Samsung no jogo tende a aumentar a competição por contratos bilionários ligados à próxima geração de IA, em um mercado que continua acelerando em ritmo recorde.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: