Milei minimiza crimes da ditadura em vídeo sobre 50º aniversário do golpe
O governo do presidente argentino Javier Milei divulgou, nesta terça-feira, 24, um vídeo institucional sobre os 50 anos do golpe de Estado de 1976, com críticas às políticas de memória adotadas nas últimas décadas.
O material aborda o período da ditadura militar, que durou até 1983, e apresenta uma revisão sobre os acontecimentos históricos.
Intitulado “As vítimas que quiseram esconder”, o conteúdo foi publicado nos canais oficiais do Executivo argentino e questiona a condução das políticas públicas implementadas desde 2003 por governos peronistas, movimento político argentino associado ao ex-presidente Juan Domingo Perón.
Segundo o vídeo, essas iniciativas teriam adotado uma "visão tendenciosa" sobre os eventos da década de 1970.
A mensagem sustenta que esse enfoque teria deixado de fora diferentes grupos afetados pela violência do período. De acordo com o material, houve "milhares de vítimas da atuação estatal, paraestatal e dos grupos guerrilheiro-terroristas", que teriam sido "ignoradas, marginalizadas e silenciadas".
Com mais de uma hora de duração, o vídeo reúne depoimentos de personagens ligados ao contexto histórico abordado. Entre eles está Miriam Fernández, filha de Carlos Simón Poblete e María del Carmen Moyano, sequestrados durante a ditadura. Ela nasceu em cativeiro, foi criada por uma família militar e recuperou sua identidade em 2017.
No relato, Fernández afirma que "houve muitas coisas que não foram contadas" sobre o período e menciona a atuação de sua família adotiva. Em outro trecho, declara: "Para curar este país e para curar como cidadãos, temos que contar a história verdadeira", e acrescenta que "a sociedade acreditou em um relato que não foi real, que não foi completo".
Fernández também cita organizações de direitos humanos, como as Avós da Praça de Maio, entidade argentina criada para localizar crianças desaparecidas durante a ditadura, e defende a necessidade de “olhar para frente” e “deixar o passado tranquilo e em paz”.
O material inclui ainda o depoimento de Arturo C. Larrabure, filho do coronel Argentino del Valle Larrabure, sequestrado em 1974 pelo ERP, sigla para Exército Revolucionário do Povo, grupo guerrilheiro ativo no período. O caso é apresentado dentro de um cenário mais amplo de violência política na época.
Em sua fala, Larrabure afirma: "Acredito que é o momento de convocar a união dos argentinos", ao tratar da possibilidade de reconciliação nacional.
Mobilizações marcam 50 anos do golpe na Argentina
A data de 24 de março de 1976 é lembrada com manifestações em diferentes regiões da Argentina, que pedem "memória, verdade e justiça". O lema é utilizado por organizações sociais e de direitos humanos para marcar a posição contra os crimes cometidos durante o regime militar.
Na cidade de Buenos Aires, manifestantes se concentram na Praça de Maio, em frente à sede do Executivo. O local é historicamente associado à atuação das Mães da Praça de Maio, grupo que desde 1977 reivindica informações sobre cerca de 30 mil desaparecidos durante a ditadura militar.
*Com informações da Agência EFE.
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