Milei pede paciência diante de desaceleração econômica e queda em aprovação
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou nesta quinta-feira, 9, que a população deve ter paciência com o processo de recuperação econômica, em meio à queda de sua popularidade e à deterioração de indicadores industriais. A declaração foi feita em publicação na rede social X.
No texto, Milei criticou veículos de imprensa e adversários políticos, a quem chamou de “psicopatas irresponsáveis”, ao mesmo tempo em que reconheceu dificuldades recentes.
“Sabemos que os últimos meses foram difíceis”, disse. “Por isso, pedimos paciência. Este é o caminho certo. Mudá-lo seria destruir tudo o que foi conquistado.”
O presidente também reconheceu impactos da volatilidade econômica antes das eleições de meio de mandato de outubro, citando efeitos como juros mais altos, retração da atividade e pressão inflacionária.
Queda na indústria e em setores estratégicos
A manifestação ocorreu após a divulgação de dados oficiais que apontaram queda de 8,7% na produção industrial em fevereiro, na comparação anual, além de retração na construção civil. Ambos os setores registraram redução de empregos desde o início do atual governo.
Apesar da contração em setores produtivos, indicadores sociais mostram que a taxa de pobreza recuou para 28% no segundo semestre do último ano, o menor nível desde 2018. O índice representa redução significativa em relação ao início da gestão.
Por outro lado, a inflação ficou acima das expectativas, com alta de 2,9% em fevereiro. O ministro da Economia, Luis Caputo, indicou possibilidade de aceleração em março, influenciada pela elevação dos preços do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio.
A taxa de aprovação de Milei caiu para 36,4% em março, segundo levantamento LatAm Pulse, conduzido pela AtlasIntel para a Bloomberg. O resultado representa o menor nível desde o início do mandato.
Embora a economia tenha registrado crescimento em 2025, houve desaceleração no ritmo de expansão. Trabalhadores formais ainda não recuperaram o poder de compra observado antes do início do atual governo, considerando o impacto da inflação.
Javier Milei afirmou que a economia apresenta melhora em relação a 2023, ano em que assumiu a presidência, mas reconheceu que os efeitos não são distribuídos de forma homogênea. “A Argentina está muito, MUITO melhor do que em 2023”, disse. “Isso significa que todos estão em melhor situação? Não. E seria intelectualmente desonesto afirmar isso.”
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