MRV gera R$ 387 milhões em caixa com venda de ativos nos EUA

Por Letícia Furlan 7 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
MRV gera R$ 387 milhões em caixa com venda de ativos nos EUA

A MRV (MRVE3) começou 2026 com reforço no caixa e sinais de recuperação operacional. No primeiro trimestre, a companhia gerou R$ 387 milhões, impulsionada tanto pela operação de incorporação no Brasil quanto pela venda de ativos nos Estados Unidos, por meio da subsidiária Resia.

O resultado reflete um movimento estratégico da empresa para reduzir alavancagem, em um momento em que o setor ainda convive com juros elevados e crédito mais restrito.

No Brasil, o desempenho foi sustentado por crescimento nas vendas. As vendas líquidas somaram R$ 2,47 bilhões no período, alta de 13,9% na comparação anual — um avanço que, segundo a companhia, reflete decisões comerciais tomadas ao longo dos últimos meses.

Parte desse crescimento veio de um reforço deliberado na estrutura comercial. “A gente tem realmente reforçado o nosso time de vendas, principalmente com mais corretores internos", explica o CFO Ricardo Paixão.

A estratégia marca uma mudança no modelo de distribuição. Historicamente, a companhia operava com cerca de 60% das vendas realizadas por equipe própria. Esse número chegou a cair para 40% no início de 2025, mas já voltou ao patamar de equilíbrio e deve avançar. “A gente quer voltar para algo próximo de 60% interno e 40% externo”, disse.

Os lançamentos atingiram R$ 2,9 bilhões em valor geral de vendas (VGV), praticamente estáveis, com leve alta de 0,9%, enquanto a produção seguiu em ritmo elevado, com 9.747 unidades concluídas e 8.229 repassadas no trimestre.

O tíquete médio avançou para R$ 270 mil, movimento explicado tanto por reajustes de preço quanto por mudanças no mix de produtos. Ao mesmo tempo, a companhia começa a capturar os efeitos das mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida.

Segundo o CFO, o aumento dos tetos e das faixas de renda elevou o poder de compra das famílias em cerca de 8%, com impacto mais relevante esperado ao longo dos próximos trimestres. “Nosso time está bem animado para continuar evoluindo no volume de vendas”, disse.

A geração de caixa da incorporação (MRV + Sensia) foi positiva em R$ 128 milhões, reforçando a leitura de melhora operacional após um período de pressão sobre margens. O banco de terrenos encerrou o trimestre em R$ 41,4 bilhões em VGV potencial, garantindo visibilidade para os próximos ciclos de lançamentos.

Venda de ativos destrava caixa nos EUA

Parte relevante do resultado veio da operação internacional. A Resia gerou US$ 66,6 milhões em caixa, com destaque para a venda de ativos que somaram US$ 91,5 milhões — cerca de R$ 480 milhões.

Entre as transações estão o empreendimento Tributary, na Geórgia, além de terrenos como Marine Creek e Tucker. O movimento faz parte da estratégia da MRV de reduzir exposição internacional e reforçar a estrutura de capital.

A companhia já avançou nesse plano e acumula cerca de US$ 240 milhões em vendas de ativos, com meta de atingir US$ 800 milhões ao longo do ciclo.

Ao mesmo tempo, a operação de locação da Resia mostra sinais de maturação, com projetos como Rayzor Ranch, Memorial e Golden Glades avançando em ocupação — etapa considerada essencial para destravar valor nas vendas.

Outras frentes e ajustes financeiros

Nas demais divisões, a Luggo — focada em multifamily no Brasil — mantém um land bank de R$ 5 bilhões, enquanto a Urba, de loteamentos, segue em melhora operacional, apesar de impacto pontual na geração de caixa no trimestre, influenciada por sazonalidade e menor cessão de recebíveis.

Do ponto de vista financeiro, a MRV destaca que a margem bruta atual já é suficiente para sustentar a geração de caixa. Ainda assim, o volume pode oscilar por conta do descasamento entre produção e repasses — uma característica estrutural do setor.

Um fator que contribuiu para o resultado foi a redução de R$ 88 milhões em valores represados na conta transitória da Caixa Econômica Federal, após mudanças nos critérios de liberação de recursos.

Com 46 anos de atuação e presença em 22 estados, a MRV entra em 2026 com foco em desalavancagem e ajuste operacional. O desempenho do trimestre indica um cenário de maior disciplina financeira — agora combinado a uma estratégia mais ativa na ponta comercial e a uma melhora gradual no ambiente de demanda.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: