Multidão espanca até a morte líder espiritual em meio a tensões em Bangladesh

Por Letícia Ozório 11 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Multidão espanca até a morte líder espiritual em meio a tensões em Bangladesh

Um homem que se apresentava como líder espiritual foi morto neste sábado, 11, após ser espancado por uma multidão em Bangladesh, segundo autoridades locais, em mais um episódio de violência associado a tensões religiosas no país.

De maioria muçulmana, Bangladesh tem registrado aumento da intolerância religiosa e de ações coletivas violentas desde o levante de 2024 que resultou na queda do governo da então primeira-ministra Sheikh Hasina.

A vítima, Shamim Reza Jahangir, de cerca de 60 anos, não resistiu aos ferimentos depois de ser atacada dentro de sua residência, no distrito de Kushtia. De acordo com o chefe da administração local, Touhid bin Hasan, centenas de pessoas participaram da agressão, utilizando paus.

A reação foi provocada pela circulação, na sexta-feira, de um vídeo antigo envolvendo Jahangir. Segundo agências locais, que esteve no local, o conteúdo mostra o homem afirmando que os redatores do Alcorão eram analfabetos e que os leitores seriam ainda piores.

Bin Hasan afirmou que a polícia havia sido enviada ao local após sinais de que poderia ocorrer algum incidente, mas uma multidão com mais de 200 pessoas invadiu a residência e realizou o ataque.

Tensões religiosas

Jahangir foi socorrido e levado a um hospital próximo, onde teve a morte confirmada pelos médicos.

Fontes policiais informaram que ele já havia sido detido por um curto período em 2021, após declarações que provocaram indignação entre moradores de sua comunidade. O vídeo que voltou a circular foi gravado naquele período.

O porta-voz da polícia de Bangladesh, AHM Sahadat Hossain, informou que uma investigação foi aberta para apurar o caso.

O país do sul da Ásia, com aproximadamente 170 milhões de habitantes, já registrou episódios semelhantes de linchamento anteriormente.

De acordo com a organização de direitos humanos Odhikar, sediada em Daca, ao menos 153 pessoas morreram em casos de violência coletiva entre agosto de 2024, quando terminou o mandato de Hasina e ela deixou o país rumo à Índia, e setembro de 2025.

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