Mundo tem 273 milhões de crianças e jovens fora da escola, aponta Unesco
O número de crianças e jovens fora da escola voltou a crescer no mundo e atingiu 273 milhões neste ano, segundo o novo Relatório de Monitoramento Global da Educação (GEM) da UNESCO. O dado marca o sétimo aumento anual consecutivo e acende um alerta sobre o ritmo insuficiente de avanços no acesso à educação.
Hoje, 1 em cada 6 crianças em idade escolar está fora da escola no mundo, enquanto apenas dois em cada três estudantes conseguem concluir o ensino médio.
Crises, conflitos e orçamento pressionam educação
O relatório aponta três fatores principais por trás do retrocesso: crescimento populacional, crises globais (incluindo conflitos) e a redução de investimentos em educação.
Em regiões como a África Subsaariana, o avanço desacelerou de forma mais intensa desde 2015, principalmente pela pressão demográfica. Já no Oriente Médio, conflitos recentes levaram ao fechamento de escolas e deixaram milhões de crianças sem acesso às salas de aula.
Além disso, mais de uma em cada seis crianças vive hoje em áreas afetadas por conflitos, o que amplia ainda mais o risco de exclusão educacional.
Alunos frequentam aulas organizadas pela iniciativa educacional "Vehac" em um prédio danificado por ataques em Khan Yunis, Gaza, em 7 de fevereiro de 2026 ( Anadolu / Colaborador/Getty Images)
Avanços existem, mas são insuficientes
Apesar do cenário preocupante, o estudo destaca progressos importantes nas últimas décadas. Desde 2000, as matrículas na educação básica cresceram cerca de 30% no mundo, o equivalente a 327 milhões de novos estudantes.
Na prática, isso significa que mais de 25 crianças passam a frequentar a escola a cada minuto.
Alguns países conseguiram avanços expressivos:
Também houve melhora nas taxas de conclusão:
Mesmo assim, no ritmo atual, o mundo só deve alcançar 95% de conclusão do ensino médio em 2105.
Inclusão avança, mas financiamento ainda é desafio
O relatório mostra que houve aumento no compromisso global com educação inclusiva. A proporção de países com leis voltadas ao tema cresceu de 1% para 24% desde 2000.
No entanto, a distribuição de recursos ainda é limitada: apenas 8% dos países utilizam plenamente mecanismos para direcionar financiamento às populações mais vulneráveis.
Outro ponto crítico é o custo indireto da educação — como transporte, alimentação e cuidados fora do horário escolar, que continua sendo uma barreira para muitas famílias.
Com a redução do financiamento internacional, programas essenciais, como alimentação escolar, estão sob risco em diversos países.
Não existe solução única
A principal conclusão do relatório é que não há uma política única capaz de resolver o problema da exclusão educacional.
Medidas eficazes precisam considerar o contexto local e combinar diferentes frentes, como:
Exemplos mostram impacto direto: transferências condicionadas à frequência escolar aumentam em 36% a probabilidade de matrícula, enquanto programas de alimentação podem acrescentar até meio ano de aprendizado para cada US$ 100 investidos.
O desafio para a próxima década
Para a Unesco, o cenário exige coordenação global e políticas mais adaptadas às realidades nacionais.
A organização afirma que continuará atuando com governos e parceiros para garantir que a educação siga como prioridade na agenda global pós-2030, especialmente diante de um cenário de crises recorrentes e desigualdades persistentes.
O relatório traz como mensagem que sem aceleração dos esforços, milhões de crianças continuarão fora da escola e, com isso, distantes de oportunidades básicas para o futuro.
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